Um talento (quase) anônimo

Se o In-Edit tem como um dos principais objetivos selecionar filmes que vão além do mero registro musical, Searching for Sugarman surge na programação como prova de que um documentário pode fazer mais do que contar uma boa história.

O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2013 | 02h09

Um dos maiores destaques desta edição e Oscar de Melhor Documentário 2013, o filme de Malik Bendjelloul narra a saga de Jesus 'Sixto' Rodrigues.

Nascido em 1942 em Detroit, foi um talentoso e (quase) anônimo cantor e compositor que, como muitos que vivem o "sonho americano", fez tudo que pôde para ter sucesso, mas morreu muito longe da fama e do reconhecimento que almejou.

Descoberto no início dos anos1970 por dois produtores que já haviam trabalhado com figuras como Steve Wonder, Sixto passou de promessa da música folk (capaz de fazer frente a Bob Dylan) a músico fracassado, com dois discos que acabaram esquecidos. Mas, enquanto ele ganhava a vida trabalhando na indústria de demolições da árida Detroit, um país do outro lado do mundo o transformava em mito. Após fãs sul-africanos terem introduzido seu álbum no país, suas canções de protesto se tornaram hinos dos que lutavam contra o apartheid. O sucesso era tão grande que Sixto ganhou até fã clube online. Isso o músico só soube em finais dos anos 1990, quando sua filha descobriu por acaso que seu pai era um ídolo nacional na África.

Estes e outros fatos fazem de Sugarman uma das tantas boas histórias que permeiam a programação do In-Edit. O documentário tem sessão para o público nesta sexta e no dia 8, às 21 horas, no Cinesesc. / F.G.

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