"Um Só Coração" acertou em quase tudo

Como diria a Hebe Camargo - aliás, mencionada no penúltimo capítulo da minissérie -, Um Só Coração foi uma ma-ra-vilha. O grande problema da produção foi de fato a preguiça - melhor seria atribuir a falha ao orçamento - da maquiagem, que manteve quase todos os personagens em puro formol durante três décadas. Quando a platéia se lembra do trabalho feito com Regina Duarte em Chiquinha Gonzaga, a frustração com a caracterização dos "velhinhos" de Um Só Coração é inevitável. Mesmo realizada em ritmo mais caprichado que as novelas, minissérie não é produto que escape tanto assim das rédeas industriais da TV. E é dentro desse contexto que vale bem a pena aplaudir a performance de alguns nomes no elenco, a começar por Cássia Kiss e Antônio Calloni. Ela, sim, só com uns fios brancos e mesmo grávida, conseguiu nos convencer de que sua Guiomar Penteado envelhecera 30 anos. Genial, dona Cássia. Quanto a Calloni, impossível não se encantar com alguém que já nos convenceu ser italiano (Terra Nostra), depois marroquino (O Clone), e agora se mostra perfeito como nordestino. Qualquer Chateaubriand que venha a seguir, incluindo o do (competente) Marco Ricca no filme de Guilherme Fontes, sofrerá a árdua comparação com esse Chatô que Calloni nos apresentou. Também são dignas de bis as interpretações de Ana Lúcia Torre, a brilhante Dona Sawa, a breve participação de Camila Morgado como Cacilda Becker e o comovente Davi de Carlos Vereza. Também foi bom de ver a Tarsila Amaral de Eliane Giardini, o Oswald de Andrade de José Rubens Chachá, a Anita Malfati de Betty Goffman e o Mário de Andrade de Pascoal da Conceição, sem esquecer da Elvira de Mika Lins e do coronel Totonho de Tarcísio Meira. Diante de todo esse time, como não reparar na falta de comoção da belíssima Maria Fernanda Cândido ou do bonitinho Erik Marmo? Cada cena dele ou dela parecia tão fake, que chega a dar pena. Em tempo: o figurino e a direção de arte fizeram bonito. E o Ibope respondeu bem, apesar do horário ingrato, com patamar de 33 pontos na Grande São Paulo (1,63 milhão de domicílios).

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