Um romance de 40 anos, o de Vanessa e Nero

Crítica

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 00h00

Vários filmes celebraram o casamento entre culinária e cinema e usaram comida para falar de sexo. Cartas para Julieta vai na contramão. Amanda Seyfried antecede a lua de mel para acompanhar o futuro marido, o chef Gael García Bernal, na Itália. Vão à terra de Romeu e Julieta, Verona. Ele se enrosca no trabalho, ela se liga a um grupo chamado "secretárias de Julieta", que responde a cartas que mulheres desesperadas endereçam à heroína de Shakespeare.

Ao responder à carta que Vanessa Redgrave escreveu há 50 anos, Amanda a ajuda a reencontrar seu amado. No processo, se envolve com o neto de Vanessa, Christopher Egan, mas, como é comprometida, o romance não vai adiante - pelo menos até que Amanda resolva sua vida. Cartas para Julieta é um pequeno filme romântico. O "pequeno" justifica-se porque é despretensioso e segue um receituário um tanto tradicional, até o esperado happy end. Se é Romeu e Julieta, tem de ter a cena do balcão, e tem, reencenada em chave cômica, o que conta pontos a favor.

Dois elementos tornam o filme de Gary Winick simpático, senão irresistível. As paisagens enchem os olhos (e você vai querer que o filme não termine. Só para constar, são as mesmas de Copie Conforme, de Abbas Kiarostami, com Juliette Binoche). A própria história de amor de Vanessa é uma celebração do romance dela de 40 anos com o astro de spaghetti westerns Franco Nero. O filme é rico em referências. Zero ou dez, valem o que seu olhar lhes atribuir.

CARTAS PARA JULIETA

Nome original: Letters To Juliet. Direção: Gary Winick.

Gênero: Romance (105 minutos). Censura: 10 anos.

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