Um retrato 'autocrítico'do artista

A foto abaixo mostra um dos trabalhos mais conhecidos do artista concreto Waldemar Cordeiro. Chama-se Autorretrato Probabilístico e foi feito em 1967. Como o título indica, é uma tentativa pós-cubista de entender a própria personalidade subdividida em três planos, juntando os fragmentos do rosto de Cordeiro. Ou, segundo os curadores, um "retrato autocrítico" do artista quando não era mais tão jovem e enfrentava, como todos, o espectro de uma ditadura militar que não via com bons olhos a arte experimental.

/ A.G.F. , O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2013 | 02h14

De forma involuntariamente alegórica, a obra admite apenas um ponto de vista que recompõe a imagem de Cordeiro - todos os outros são como fragmentos de identidade esfacelada no espelho.

Segundo observação do curador Arlindo Machado, essa obra é uma espécie de marco zero da experimentação digital. Objetos cinéticos como O Beijo, do mesmo ano, usam o mesmo princípio de placas (correspondentes aos futuros pixels) para mostrar como essa fragmentação estava ligada a uma tradição artística que remonta ao pontilhismo de Seurat e recua aos vitrais da catedral de Chartres, intuindo como seria formada a imagem nos computadores.

"Como pioneiro da arte computacional, ele usou também ideias que já estavam esboçadas no começo da arte concreta no Brasil", diz Machado, apontando para o uso de processos industriais por Cordeiro ainda nos anos 1940, quando o artista começa sua pesquisa abstracionista.

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