Um renovado Pinóquio

Balé dirigido pela mestra Susana Yamauchi revive boneco de Collodi

O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h08

Seria apenas um espetáculo de fim de ano de alunos de balé, não fosse Pinochianas um tour de force envolvendo grandes talentos, entre eles o da coreógrafa e diretora do espetáculo, Susana Yamauchi, responsável por colocar em cena a livre adaptação de um dos maiores clássicos da literatura italiana, As Aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi. Anunciando as novas diretrizes pedagógicas da Escola de Dança de São Paulo, Pinochianas antecipa o que será a transformação da instituição (hoje precariamente abrigada sob o Viaduto do Chá) a partir da mudança para sua nova casa, o prédio que está sendo construído ao lado do Conservatório Dramático e Musical.

Pinochianas reuniu 350 alunos da escola num espetáculo de dança coletiva que não destacou nenhum solista. De maneira inusual, a diretora Susana Yamauchi dividiu as 14 cenas do espetáculo entre alunos de diferentes estágios e idade, reunindo-os apenas no ensaio geral. Sem se preocupar em ser fiel à narrativa literária, ela construiu "paisagens temáticas" que acompanham a transformação do boneco em menino e sua consequente relação com o mundo real. Desse confronto emerge, vitoriosa, a figura amplificada da marionete - todos os pequenos bailarinos são Pinóquios. Eles tiram o espectador de sua zona de conforto, num espetáculo que tem tanto a solenidade da morte como o descompromisso da festa.

Pinochianas é, antes de tudo, um balé que não subestima a inteligência do espectador. O figurinista Fábio Namatame interpretou esse confronto entre realidade e imaginário como um jogo suprematista sintonizado com a eclética trilha do compositor Ed Cortês, que recria não só o universo folclórico brasileiro como reverencia Nino Rota na cena em que Pinóquio encontra as marionetes do circo. O suprematismo de Namatame, que faz uso contrapontístico de roupas multicoloridas, se traduz em malhas sobre o fundo negro do funcional cenário de Felippe Crescenti - o que destaca as faixas verticiais dos figurinos, especialmente na sequência em que Pinóquio se perde num labirinto de corpos.

Nesse aggiornamento do drama de Pinóquio - saqueado, morto e ressuscitado pelo amor de um faxineiro (Ronaldo Ramos) -, o boneco vira até vítima de bullying escolar, uma das melhores sequências desse espetáculo emocionante, grandioso.

Crítica:

Antonio Gonçalves Filho

JJJJ ÓTIMO

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