Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Um Rei perto dos 70 anos

Roberto Carlos canta rouco depois de falar do pânico da velhice

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

A dois meses da festa de 70 anos, Roberto Carlos brinca com o fato de que, enfim, está envelhecendo. Mas segue com a agenda cheia. Esta semana, cantou no cruzeiro que anualmente reúne num transatlântico mais de 3 mil fãs. No carnaval, estará na Marquês de Sapucaí com a Beija Flor, escola de samba que vai desfilar sua vida e carreira. Em junho, faz um megashow em Jerusalém, na linha "turismo musical" dos cruzeiros (a apresentação fechará uma excursão pela Terra Santa). Espera-se também o encruado CD de inéditas, ansiado pelo público que há anos vem cantando sucessos do passado. E também a estreia de um longa de Breno Silveira, permeado por suas canções, chamado Beira do Caminho - falta Roberto liberar as músicas.

Os compromissos para 2011 pautaram a entrevista de uma hora que o cantor deu anteontem à tarde, embarcado no navio Costa Serena, assistida por cerca de mil passageiros. Mais do que a programação profissional, no entanto, o que se buscava saber era se Roberto tem uma nova paixão - garantiu que não, desmentindo os boatos de que estaria com uma namorada com idade para ser sua neta.

O cantor fez piada com a idade. "Nem com 60 anos eu me sinto!", disse, confessando-se apavorado com a decadência física. "Os medos que eu tenho? Em primeiro, a calvície; o segundo, a velhice; o terceiro, vocês imaginem...", emendou, malicioso.

Entre uma pergunta e outra sobre seu tipo de mulher e a recuperação da perna machucada no fim de 2010, ele falou com firmeza sobre as mudanças propostas pela nova lei de Direitos Autorais. "Não estou de acordo que nós, compositores, não tenhamos direito total do que a gente faz. Estou acompanhando." Também foi categórico quanto à posição de colaborar com o jornalista Okky de Souza em uma nova biografia, e ao repúdio a Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo Cesar de Araújo, a qual baniu das livrarias quatro anos atrás.

À noite, no show que fez a bordo, o Rei passou aperto. O equipamento de palco falhou e ele não conseguia se ouvir. Forçou a voz e ficou rapidamente rouco. Teve de deixar o palco três vezes, por ceca de dez minutos cada. Quase suspendeu de vez. "Não acredito que isso esteja acontecendo comigo", buscou apoio no público, que ficou satisfeito com os repertório de sempre e uma surpresa: uma versão de Unforgettable, eternizada na voz de Nat King Cole.

No navio, já havia gente interessada em embarcar no projeto Roberto Carlos em Jerusalém. Como o cruzeiro (que custa a partir de US$ 1.790 por pessoa), o projeto também é salgado: o pacote mais simples vai sair a US$ 3.220.

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