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Um raro momento da integral de Mahler

Até sábado, a Osesp mostra a Sinfonia nº 3 pelos 150 anos de nascimento e 100 da morte do compositor

João Marcos Coelho, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2010 | 00h00

A Osesp propõe de hoje a sábado a Sinfonia n.º 3 de Gustav Mahler, que preenche sozinha o concerto inteiro. Sem intervalo, a plateia acompanhará uma hora e meia de música sinfônica com intromissões vocais nos derradeiros movimentos. É um raro momento da integral de Mahler que a orquestra percorre em tributo à dupla efeméride: 150 anos de nascimento (2010) e 100 da morte (2011).

Transportam-nos, nesta odisseia, os coros infantil e vozes femininas do coro adulto da Osesp, a excepcional contralto francesa Nathalie Stutzmann e o regente costa-riquenho Giancarlo Guerrero. Natalie, categorizada mahleriana, cantará na 3.ª e na 8.ª sinfonias de Mahler com a Filarmônica de Berlim e Simon Rattle em 2011. Guerrero, titular da Sinfônica de Nashville, gravou música das Américas (Naxos), repertório que regerá nos concertos da Osesp na próxima semana.

Mahler pensou em chamá-la de A Gaia Ciência em tributo a Nietzsche, e também de A Vida Feliz. Mas o sofrimento agigantou-se, "como se fosse componente irremediável da evolução da vida na Terra, e inerente até ao próprio ato de criação, objetivo vital do artista".

Mahler a compôs nas férias de verão de 1896 em Steinbach-am-Attersee, na Áustria. Lá recebeu o maestro Bruno Walter a quem pediu para que não observasse à sua volta: "É inútil você olhar para a paisagem; ela passou inteira para a minha sinfonia." Mas esta visão musical da natureza não é só idílica; também a "maltrata, coloca-a num contexto corrosivo, priva-a de sua inocência" (Marc Vignal).

GUIA DE ESCUTA

Mahler deu títulos aos andamentos, uma boa pista para a audição (citações são dele):

O que me contam as flores do campo - "Uma música despreocupada como só as flores sabem ser."

O que me contam os animais da floresta - Mahler usa a trompa postal, que anunciava a chegada do correio no século 19.

O que me conta o amor - Adagio traz de volta os violinos e cultiva no início o esplendor das cordas. Depois, as texturas se adensam, até o fim, quando as trompas nos relembram da canção do Zaratustra que fala: "O mundo é profundo!... profundo é o seu sofrimento!"

OSESP

Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, 16, Luz, 3223-3966. Hoje e amanhã, às 21 h; sáb.,

às 16h30. R$ 36/ R$ 122.

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