Na terça-feira passada, o secretário de Cultura do Estado de São Paulo, Andrea Matarazzo, foi ao Museu Brasileiro de Escultura, o MuBE, assistir ao debate promovido pelo Arq.Futuro, que teve Jacques Herzog como a grande estrela. Ouviu a queixa da plateia de que no Brasil os projetos costumam ser interrompidos com a troca de políticos nos cargos. E acabou sendo defendido, em público, pelo próprio arquiteto. "Mas o secretário Matarazzo é o exemplo de que pode haver continuidade", disse Herzog.

27 de novembro de 2011 | 03h08

O projeto do Complexo Cultural Luz, entregue ao suíço, foi na verdade encomendado pelo antecessor de Matarazzo na secretaria, João Sayad. No dia seguinte ao debate no MuBe, o secretário falou ao Estado, confirmando mudanças no desenho, mas garantindo que a obra sai do papel. A seguir, trechos da conversa:

"As pessoas falam que será um teatro de dança, mas não é isso. Trata-se de um centro cultural que vai abrigar a São Paulo Companhia de Dança, a Escola de Música Tom Jobim, uma biblioteca, áreas de convivência, além das três salas de espetáculos. Uma maior, com algo em torno de 1.600 lugares, equipada de forma a receber grandes balés e ópera, mais dois teatros menores, com algo em torno de 700 lugares cada. O projeto está ficando deslumbrante. Mudamos, sim, a proposta original, que previa 101 mil m² de área construída, maior que o Lincoln Center de Nova York. Agora estamos com cerca de 73 mil m². O custo estimado anteriormente, que beirava R$ 900 milhões, foi para R$ 500 milhões. E o custeio do centro, ao ficar pronto, será bem menor. O que reduzimos no projeto: não vamos construir espaço para uma escola de dança, pois isso a secretaria nem tem. Nem espaço para receber 'escolas de dança de fora', conforme cogitado. A fábrica de cenários, prevista no início, será feita em outro lugar, afinal, este é o tipo de equipamento que não precisa ter a grife Herzog & De Meuron. Com isso, o projeto ganhou área verde, algo vital para a região. Pretendemos iniciar as obras em 2012, pensando concluir tudo em até quatro anos. Hoje este é um projeto irreversível para São Paulo e para o governador Geraldo Alckmin. E terá um impacto urbanístico tremendo, transformando a Luz numa das melhores regiões da cidade."

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