Um profeta em livros e quadros

Exposição no Memorial da América Latina homenageia o escritor e artista plástico libanês Khalil Gibran

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2013 | 02h08

O escritor e pintor libanês Gibran Khalil Gibran (1883-1931) queria passar a velhice num monastério do século 7 em Bicharré, sua cidade natal localizada há 120 quilômetros de Beirute, mas não deu tempo. Ele morreu aos 48 anos, em Nova York. O local, porém, foi comprado pela irmã dele e seu corpo foi enterrado lá. No ano seguinte, tudo o que havia em sua casa nos EUA foi levado para o monastério, que hoje abriga o Museu Gibran. E é de lá que vem o acervo da exposição em homenagem aos 130 anos do artista, que será aberta hoje para convidados e amanhã para o público, no Memorial da América Latina.

Autor de O Profeta (1923), livro que o projetou no Ocidente e foi parar na cabeceira de celebridades, Gibran será homenageado este ano em diversos países, e o Brasil, que tem a maior comunidade libanesa fora do Líbano, correu para abrir a festa. "Há quase dois anos estamos preparando a exposição. Queríamos que o Brasil tivesse o privilégio de ser o país a dar início às comemorações", conta Lody Brais, presidente da Associação Cultural Brasil-Líbano e coordenadora da programação brasileira.

Até o dia 26 de junho, o público poderá ver 52 pinturas originais, documentos, cartas, edições nos mais diferentes idiomas, objetos pessoais, como seu estojo de pintura, e manuscritos, como o original de Jesus - O Filho do Homem.

Um filme mostrando a relação de personalidades com a obra do libanês também está na programação. "Khalil Gibran foi um grande criador de aforismos e parábolas e influenciou escritores no mundo todo. Paulo Coelho foi um deles. Além disso, John Kennedy e George Bush usavam suas frases em discursos", diz Brais. Ela conta ainda que Elvis Presley e John Lennon eram grandes fãs, e que Johnny Cash chegou a gravar The Eye Of The Prophet, um audiolivro em fita cassete com poemas de Gibran. Algumas dessas frases, propagadas pela internet, terão destaque na exposição.

As comemorações não ficarão restritas à mostra do Memorial. Em 30 de julho, no Centro Cultural Fiesp, a Companhia Teatral Arnesto nos Convidou faz a leitura dramática de Um Profeta em Nova York, peça de Samir Yazbek inspirada na vida e obra de Khalil Gibran. Reproduções de seus quadros estarão espalhadas pelas estações de metrô e de trem de São Paulo a partir de agosto. E haverá imagens dele nos bilhetes de loteria e em carimbo dos Correios.

Toda a iniciativa mira também a nova geração. "Sua obra é atemporal e um alimento para a alma", finaliza Lody Bras.

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