Imagem Fábio Porchat
Colunista
Fábio Porchat
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Um pouquinho da minha geração

Somos um povo de memória curta. Pra qualquer assunto. Política, futebol, carro, tanto faz. Na minha área, vejo o esquecimento total de gênios como Golias, Costinha, Jorge Dória... Comediantes que fizeram o Brasil inteiro rir, foram os reis da piada e, hoje, só minha avó tem alguma recordação. Pena. Talvez porque naquela época não havia internet e não temos tantos registros desses humoristas na ativa em seus momentos de glória, talvez porque é assim mesmo que funciona o ciclo da vida, sei lá.

Fábio Porchat, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2014 | 02h22

O que eu sei é que um dia vão esquecer também dessa minha geração de comediantes. E tem muita gente engraçada. Vou contar pros meus netos do prazer que foi trabalhar com muitos deles. Com o Gregório Duvivier, um dos caras mais inteligentes que eu conheci, com um contratempo de humor que o faz possuir seu próprio timing cômico, inimitável. Eu me formei na escola de teatro com ninguém menos do que Paulo Gustavo, a pessoa mais engraçada que eu já vi na vida. Se você senta numa mesa de bar com ele, você terá uma catarse em quinze minutos.

Fiz um filme e um programa com Tatá Werneck. Todo mundo deveria ter o direito, por lei, de passar uma tarde com Tatá. Não existe um mode OFF no seu humor. A segunda temporada do Junto & Misturado, que não foi ao ar, me serviu para trabalhar com o Marcelo Médici. Nunca, eu repito, nunca, divida a cena com alguém que tem o poder de falar todo o tipo de merda de forma tão absurdamente escrota. Um cara que já trabalhou com Tiririca, Batoré, Reynaldo Gianecchini e Cláudia Raia, tem história pra contar. De A Praça é Nossa a Passione, este ser hilário já transitou por tudo!

Dani Calabresa é capaz de me fazer sorrir a qualquer momento da minha vida, no enterro da minha família inteira, só de lembrar do seu jeito de falar as palavras. Leandro Hassum é um monstro. Tudo o que ele toca vira diversão. E o cara com o melhor coração do mundo! Bruno Mazzeo é dos caras mais generosos com quem eu já trabalhei, mestre da escrita e inteligentemente engraçado. Marcelo Adnet é imparável, uma máquina sagaz de ter ideia e do improviso. Improviso, aliás, que você só pode dizer que viu se tiver assistido aos Barbixas ou ao Zenas.

Miá Mello é minha dupla perfeita. Não troco, não vendo e não empresto! Lúcio Mauro Filho, que talvez seja a pessoa mais legal do mundo, ficando sério, consegue o que muita gente fazendo careta não realiza. Marcius Melhem tem um humor que varia das piadas de duplo sentido ao refinamento da observação em uma fração de segundos. Danilo Gentili, de mansinho, de stand up em stand up, se transformou no melhor Talk Show brasileiro.

Welder é uma força da natureza. Se ele entrar em cena, falar "oi" e sair, já valeu o ingresso. E, eu sei que é nepotismo, paternalismo e/ou qualquer outro ismo desses, mas trabalhar no Porta dos Fundos é trabalhar com o melhor elenco de comédia do Brasil da atualidade. Todos, sem exceção são muito bons. E tenho história pra contar de cada um deles, mas isso fica pra minha próxima coluna! Não vou esquecer, prometo!

*E-mail: fabio.porchat@estadao.com

Tudo o que sabemos sobre:
Fábio Porchat

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.