Um Plínio Marcos que é a cara do Brasil

Alexandre Borges estava em Lisboa, participando da Expo 98, quando teve a idéia de montar uma peça para comemorar os 500 anos do Descobrimento do Brasil. Lembrou de Dois Perdidos Numa Noite Suja, uma das obras-primas de Plínio Marcos. A dualidade da peça e da ligação Brasil-Portugal - "dois mundos, dois países, dois atores" - somada à atualidade do tema tratado era perfeita. Borges chamou seu pai, Tanah Corrêa, expert na obra de Plínio Marcos, para a direção e o ator português José Moreira para contracenar com ele. Dois Perdidos... conta a história de Tonho e Paco, dois homens que dividem um quarto e trabalham fazendo biscates no mercado local. Tonho veio do interior à procura de uma vida melhor. Estudou até o ginásio e fez datilografia, mas isso não é suficiente para mudar seu futuro miserável. Paco sempre viveu na miséria, está acostumado com a situação. A falta de perspectivas faz com que os dois se agarrem a obsessões. Tonho acha que se tivesse um bom par de sapatos, como o de Paco, conseguiria um emprego. Paco tem uma gaita, mas sonha em ter uma flauta, instrumento que sabe tocar. Borges conheceu a peça em 79, com 14 anos, quando seu pai montou o espetáculo com o grupo O Bando. Quando veio de Santos para São Paulo, em 85, para investir na carreira de ator, encenou Paco no primeiro teste que fez, na companhia de Antunes Filho. Na montagem atual teve que se desvencilhar de Paco. "Na nossa produção, tenho que fazer o Tonho, porque ele representa a nação, esse povão que tem consciência do que quer, mas não chega lá", afirma Borges. Dois Perdidos Numa Noite Suja, às 21 h. R$ 20. Teatro Plínio Marcos, R. Clélia, 33, Pompéia, tel.: 3864-3129.

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