Um pesadelo para as gravadoras

O iPad da Apple, que começará a ser vendido dia 3 nos EUA, acessará vídeo, aplicativos e sites da internet sem a necessidade de fios ou cabos. Mas para transferir sua preciosa coleção de músicas antigas para esta maravilhosa engenhoca a fim de poder levá-la consigo no trabalho ou nas férias, será preciso puxar um cabo USB, ligar o aparelho ao seu PC e transferir os arquivos de músicas.

Brad Stone, The New York Times, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2010 | 00h00

É um estorvo, ainda mais quando você compra uma música no tablet e depois quer ter certeza de poder tocá-la também em outros aparelhos. A Apple provavelmente poderia dispensar também a ideia do sync, se tivesse o serviço de música pela internet que todos preveem, mas que ainda não está tão difundido: o que os nerds chamam de música pelo modelo da nuvem (music in the cloud).

Este serviço permite que as pessoas armazenem suas músicas na internet - todos os CDs dos Beatles e os álbuns do Blondie que tocamos sem parar nos últimos 20 anos - e depois fazer o streaming das músicas em qualquer computador, telefone, tablet ou na futura onda de rádios conectados com a internet. As próprias gravadoras adoram a ideia de levar as coleções de músicas das pessoas para o modelo em nuvem, principalmente porque os consumidores poderão voltar a comprar músicas. O número de pessoas que descarregam música caiu ligeiramente no ano passado, em relação a 2008, segundo o NPD Group.

Portanto, transferir sua música no modelo da nuvem e dali para qualquer outro aparelho, de acordo com sua vontade, deveria ser fácil, não é? Na realidade, podem haver problemas. Antes, porém, devemos admitir que a ideia de ser donos de músicas é talvez ultrapassada. Toda uma nova geração de amantes da música está optando por pagar serviços de assinatura ilimitada, como o portal de música Mog ou o Rhapsody, que permitem que toquem qualquer música, a todo momento, numa variedade cada vez maior de aparelhos.

Mas se a indústria fonográfica quiser preservar o que agora constitui sua atividade mais lucrativa, na qual as pessoas pagam por uma cópia de uma música ou de um álbum, tornando-se seus donos, deverá inicialmente elaborar condições práticas e viáveis para a concessão de licenças com empresas de tecnologia que pretendem criar serviços de música no modelo da nuvem.

Michael Robertson, empresário do setor de música online, não acredita na viabilidade desses acordos de licenciamento. Em 2000, sua antiga companhia MP3.com lançou um serviço que permitia que as pessoas tocassem qualquer música da internet se pudessem comprovar que a haviam adquirido. O site, que teve de fazer acordos na justiça com importantes gravadoras, acabou sendo adquirido pela Vivendi Universal.

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