Um palco B acima da média

A crítica recorrente é que a nova era de festivais brasileiros deixa de lado qualidade artística em troca de nomes batidos que garantem as vendas, um novo-riquismo ganancioso, que insere o País no circuito de shows internacionais sem investir em sua relevância cultural.

ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2011 | 03h07

Neste sábado, o Planeta Terra confirmou novamente ser uma exceção à regra. Logicamente, o festival teve seus Beady Eyes da vida. Mas a presença de Toro Y Moi, Goldfrapp e, principalmente, Gang Gang Dance abriu as janelas na embolorada programação internacional do ano. O Gang Gang Dance talvez seja a mais aberrante presença. Darling da crítica vanguardista, a banda nova-iorquina faz uma mescla intrigante de rock experimental com ritmos de periferia, pop japonês e música oitentista.

Trata-se de um som pouco acessível, que agrada os sentidos de forma inesperada, como uma iguaria de Ferran Adrià. No show, a banda reproduziu o incensado Eye Contact. Lançado este ano, o disco é um tour psicodélico pelas batidas espartanas que constituem a música da periferia atual. Cumbia, reggaeton, hip hop, funk carioca, o raï, do Oriente Médio; todos estes beats formam o alicerce para as melodias endoidecidas da cantora Lizzi Bougatsos, que soa como uma diva de J-pop, música comercial nipônica.

Há espaços amplos para a experimentação com sintetizadores birutas, que sobem e descem arpejos das formas mais variadas para dar uma estética gélida e sedutora à banda. Mas, por mais experimental que tenha sido o show, em meia hora o Gang Gang Dance conquistou os curiosos que abriram mão de ver o Interpol no palco do principal. "É como o tecnobrega", disse um. "Parece um forrozim eletrônico", disse outra. E, de fato, diversos casais dançaram ao som de uma banda que tem mais o perfil do Museu da Imagem e do Som, do que de um festival à beira da marginal.

Antes do Gang Gang, Chaz Bundick, do Toro Y Moi, trouxe os sons do chillwave pela primeira vez ao País. A banda teve problemas técnicos no início. Quando finalmente conseguiu tocar, os graves estavam extrapolados, causando um êxodo de quem estava na primeira fila. Isto também foi ajustado e logo Chaz e sua banda envolveram a plateia em pop relaxante e buena onda, outra boa e relevante aposta da curadoria do festival. Mais tarde, a inglesa Alison Goldfrapp fez seu eletro sedutor e, às vezes, melancólico. Como muitas bandas eletrônicas, o Goldfrapp é um pouco rígido ao vivo. Mas o carisma de Goldfrapp, trajando um vestido preto, aparentemente feito de sacos de lixo, compensou.

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