Um olhar atento sobre o exercício da poesia

É difícil definir os textos que compõem Palavra e Rosto, mais recente livro de Fernando Paixão. Autor de três títulos de poemas, de um estudo sobre a poesia de Mário de Sá-Carneiro e ainda de versos para crianças, o professor de literatura do Instituto de Estudos Brasileiros, da USP, faz ao longo das pouco mais de cem páginas do volume algo que oscila a prosa poética e a poesia em prosa, mas, ao mesmo tempo, reflete seu olhar atento sobre o exercício poético.

, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2010 | 00h00

As várias possíveis leituras para o trabalho de Paixão resultam do modo solto, informal, como os textos foram elaborados. "Não foi um projeto racional", diz o autor. "Em meados da década de 90, comecei a escrever um diário pessoal, mas voltado a registrar situações vividas no meio editorial e comentários estéticos." Na época, Paixão ainda trabalhava como editor na Ática, empresa na qual atuou por mais de três décadas, de modo que acompanhava de perto dois lados distintos do trabalho editorial - a criação literária e a recepção pelo mercado. Anos depois, sentiu que tinha um trabalho "desigual". "Foi preciso quase uma década para decantar esses textos, reescrever boa parte e deixar de fora mais da metade. O que me interessava era manter o essencial daquela experiência."

O resultado final Paixão associa a uma ideia do filósofo francês Albert Camus (1913-1960): "Depois de certa idade, todo homem é responsável por seu rosto." "Tem a ver com o livro tanto no sentido do tempo que levei para sedimentá-lo como no sentido existencial, de que cada gesto vai trazendo um traço a mais desse escritor imaginário."

Os poemas vêm intercalados por delicadas gravuras de Evandro Carlos Jardim, amigo de Fernando Paixão há muitos anos, e com o qual já havia feito uma parceria em 2005, para o livro-poema A Parte da Tarde. / R.C.

PALAVRA E ROSTO

Autor: Fernando Paixão. Ilustrações: Evandro Carlos Jardim. Editora:

Ateliê (128

págs. R$ 28)

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