Um olhar atento aos subterrâneos da vida

Na entrevista ao lado, José Eduardo Belmonte fornece elementos para se entender seu método autoral, como ele trabalha com os atores, por exemplo. Belmonte acrescenta que teve fundamentos de teatro nô na universidade e que foram decisivos para esse método. Ensinaram-lhe uma forma de liberar o corpo e a mente dos atores.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2010 | 00h00

Tão importante quanto o estilo - esse "soltar-se" - é o olhar de Belmonte sobre a classe média brasileira, que você pode confirmar na retrospectiva de sua obra, no Belas Artes, acompanhando o lançamento de Meu Mundo em Perigo. Na fase de Brasília, ele mostrou em Subterrâneos um sindicalista que larga tudo para escrever um livro sobre a fauna humana que habita famoso centro comercial brasiliense. Em A Concepção, filhos de diplomatas aderem a movimento libertário (mas será mesmo?) criado pelo estranho que se estabelece em seu apartamento.

Em Meu Mundo em Perigo, já fora de Brasília, o protagonista teme quando a ex-mulher drogada pede a guarda do filho. Em Se Nada Mais Der Certo, um jornalista falido liga-se a taxista sem táxi e a tipo sexualmente ambíguo que frequenta as bocas da cidade grande. São sempre personagens à deriva, desgarrados, e que tentam se agrupar. Nem sempre conseguem. Quando garoto, Belmonte adorava Oscarito e Grande Otelo. No próximo filme, Billi Pig, com Selton Mello e Grazi Massafera, ele quer fazer um experimento de cinema popular, sem mudar as preocupações. Pequenos trambiqueiros, sempre. O centro decadente das cidades. Um autor visceral.

MEU MUNDO EM PERIGO

Direção: José Eduardo Belmonte. Gênero: Drama (Brasil/2007, 92 min.). Censura: 14 anos.

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