Um oásis em meio à repetição

Maior evento de cinema do mundo, o Festival de Cannes abriga, nas seções paralelas, a Semana da Crítica e a Quinzena dos Realizadores. São vitrines para a experimentação de autores independentes - o mainstream, mesmo que sejam os maiores autores do mundo, vai para a competição (e sua irmã gêmea, a mostra Un Certain Regard). Não é mera coincidência que, no Brasil, exista, desde 2009, a Semana dos Realizadores. Ela expressa as transformações no cenário do cinema autoral e independente do País nos últimos anos.

O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h11

Lis Kogan é curadora e diretora da Semana, que agora aterrissa em São Paulo. O evento acaba de completar sua quarta edição no Rio. O recorte privilegia um veterano - Júlio Bressane -, presta uma homenagem póstuma - a Alberto Salvá - e lança um olhar sobre novos autores como Caetano Gotardo (O Que se Move), Gabriel Mascaro (Doméstica), Marcelo Lordello (Eles Voltam, que venceu o Festival de Brasília desse ano) e Adirley Queirós (A Cidade É Uma Só, vencedor da Mostra Aurora, de Tiradentes).

Justamente por se tratar da primeira Semana em São Paulo, a curadoria acrescenta às novidades da mostra principal uma síntese das semanas anteriores. Como Lis disse no Rio, escolher uma dezena de filmes entre 70 longas (e outros tantos curtas e médias) pode implicar, aos olhos de quem vê, num juízo de valor. A seleção traduz muito mais o encontro de subjetividades com um objetivo - a Semana surgiu do desejo e da urgência de criar um espaço para a exibição e discussão de um cinema que sobrevivia como oásis de originalidade em meio a tanta repetição. Esse espaço, que já existia no Rio, agora também é dos paulistas. / L.C.M.

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