Um museu para a história de São Paulo

"Um local de muitas memórias". É assim que a curadora Maria Aparecida Lomônaco define o Pateo do Collegio, onde está o Museu Padre Anchieta, que reabre nesta terça-feira com nova organização e 500 peças do acervo restauradas. "Antes tínhamos uma sala de exposição. Agora temos de fato um museu, um lugar que conta uma história", afirma o padre Cesar Augusto dos Santos, responsável pelo projeto, iniciado em agosto do ano passado. Além do Museu, será aberta a Biblioteca Padre Antonio Vieira. Além de passear pelos jardins e visitar a capela, quem for ao Pateo a partir de hoje poderá conhecer melhor a história da cidade e da presença dos jesuítas no Brasil. "Este lugar pretende unir cultura e fé", afirma a curadora. No piso inferior do museu, desenhos, mapas e uma maquete ajudam o visitante a localizar pontos históricos na região central da cidade que hoje estão escondidos pelos altos edifícios. No andar superior, estão as peças religiosas e telas que representam a chegada e a permanência dos jesuítas no País. Entre anjos e imagens de santos, pequenas figuras chamam a atenção: as "paulistinhas", santinhos feitos de barro cozido. Com pouco mais de um palmo de altura, essas imagens eram feitas pela população pobre de São Paulo em substituição às imagens bem talhadas e caras vindas da Europa ou feitas por artistas brasileiros. Segundo o padre Cesar elas serviam apenas para devoção pessoal. Outra peça importante do acervo é a pia batismal da primeira igreja construída pelos jesuítas. "Ela é uma peça de resistência, pois sobreviveu a todas as mudanças e reformas que o conjunto do Pateo sofreu", explica Maria Aparecida. "Sobreviventes" também são os livros e documentos que estão na Biblioteca Padre Antonio Vieira. Ali estudiosos e curiosos encontrarão cerca de 15 mil volumes, entre livros, revistas e documentos raros da história de São Paulo e do Brasil. O acervo deverá ser ainda maior, pois a Companhia de Jesus pretende ampliá-lo para 40 mil exemplares, enviados por outras casas jesuíticas do País. O projeto, patrocinado pela Petrobras e pela Companhia de Jesus, consumiu cerca de R$ 1,6 milhão. Além do Museu e da Biblioteca, a capela e o Oratório Padre Anchieta - reabertos no dia 25 de janeiro deste ano em comemoração ao aniversário da cidade - foram reformados para receber os visitantes. O objetivo é ampliar o número de visitas de 300 pessoas por dia para cerca de 500. "É raro uma cidade saber o local exato de sua fundação. A cidade de São Paulo tem esse privilégio que precisa ser conhecido", afirma o padre. O conjunto já sofreu muitas mudanças. No início, em 1554, o local era ocupado apenas por uma cabana. Dois anos mais tarde, uma igreja e o colégio foram erguidos. Depois dessa primeira construção, muitas outras se seguiram. "Algumas chegaram a descaracterizar totalmente a cara do Collegio", conta o arquiteto Valandro Keating, responsável, juntamente com Marcos Cartum, pelos desenhos e pela concepção arquitetônica do museu. No final do século 19, uma construção em estilo eclético substituiu a construção original. Até o nome foi mudado, durante um curto período, de Pateo do Collegio para Praça João Pessoa. O local não permaneceu sob o poder dos jesuítas durante os 448 anos da cidade. Em 1759, os padres foram forçados a sair do País pelo Marquês de Pombal, e o conjunto só voltou para as mãos da Companhia na década de 1950. A partir daí, iniciou-se uma verdadeira campanha para que o local recuperasse suas características primeiras. E, nos anos 70, foi feita uma réplica da construção original, da qual restou apenas uma parede de taipa. As visitas ao conjunto podem ser monitoradas. Grupos de turistas e escolas devem agendar excursões com uma semana de antecedência.Serviço O horário de funcionamento do Museu Padre Anchieta é de terça a domingo, das 9h às 17 h. Os ingressos custam R$ 5,00 (adultos), R$ 3,00 (escolas particulares) e R$ 1,00 (escolas públicas). Todo último domingo do mês, a entrada é gratuita. A biblioteca funciona de terça a sexta-feira, das 13h às 17 h.

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