Um modelo de negócio ainda em vigor

A casa Christie's investe em formato de leilões virtuais com obras de Andy Warhol.

O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2012 | 02h10

Não se pode dizer que Andy Warhol estava sendo profético quando afirmou que o negócio da arte era o próximo passo depois da arte - "Comecei como um artista comercial e quero terminar com um artista de negócio", escreveu no livro The Philosophy of Andy Warhol: From A to B and Back Again, de 1975. Afinal, este passo já havia sido dado alguns anos antes. Desde o início da década de 1970, depois de ter sido baleado pela feminista Valerie Solanos, em 1968, Warhol já era muito mais um empresário bem-sucedido do que o artista revolucionário dos anos anteriores.

Vinte cinco anos após sua morte, um série de leilões comuns e virtuais organizados pela Christie's junto com a Fundação Andy Warhol parece manter viva sua ideia de "business art". Criada logo após a morte do artista, a fundação anunciou em setembro que iria se desfazer de todo o seu acervo para apoiar exposições e projetos como residências artísticas com o valor arrecadado. Mas a parceria começa de fato na próxima segunda-feira, quando obras como Three Targets, serigrafia avaliada em US$ 1,3 milhão, e uma colagem com a imagem de Jacqueline Kennedy, com valor estimado de US$ 200 mil e US$ 300 mil, serão leiloadas em Nova York. Já a primeira comercialização virtual da obra de Warhol está marcada para fevereiro.

Apesar da coleção não ter mais nenhum trabalho de grande importância, a decisão de colocar no mercado uma quantidade grande de trabalhos de Warhol em um curto espaço de tempo não foi tão bem recebida, especialmente pelos colecionadores do artista preocupados com uma eventual desvalorização de seu valor de mercado.

"Temos uma longa história de sucesso de vendas de obras de Warhol e vamos continuar orientando esse projeto de forma responsável", defende Ami Cappellazzo, chefe do departamento de arte contemporânea e pós-guerra da Christie's. / N.L.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.