Um minuto com: Ray Manzarek, tecladista do The Doors

Ray Manzarek, 68 anos,co-fundador e tecladista do The Doors, diz que é decepcionantever quão pouco as coisas mudaram nos 40 anos passados desde o"verão do amor" em San Francisco. Conhecido por seus refrões em canções como "Light My Fire",Manzarek falou com a Reuters durante um concerto de reencontroSummer of Love no Golden Gate Park, em San Francisco. P: Em sua autobiografia, você diz que participar do "HumanBe-In", uma festa hippy gigante em San Francisco em janeiro de1967, foi um dos grandes acontecimentos de sua vida. Por que? R: Chegamos ao Golden Gate Park e havia 3.000 hippies, umavisão diferente de qualquer coisa que já tínhamos visto,vestidos coloridos, cabelos longos, dança... O clima era deliberdade, espiritualidade e amor. Era como o início de umatransformação. Uma geração nova nascia naquele dia, concebidaem liberdade, paz e amor. E pensamos que íamos mudar o mundo. P: Você fica decepcionado porque pouca coisa mudou? R: Sim. O rumo tomado pelos EUA é uma grande decepção paramim e para toda uma geração. Mas a luta continua. P: Você tem um candidato presidencial favorito? R: Estou torcendo por Obama. Ele é tão kennedyesco. P: Mas sua vida tem sido boa em muitos aspectos? R: Sim, tem sido ótima financeiramente. Espiritualmente,também. Estou casado com a mesma mulher. Dorothy, que era minhanamorada quando éramos estudantes na UCLA. Nos casamos em 1967e vamos comemorar 40 anos de casamento no final de 2007. P: Fazendo uma retrospectiva, aqueles foram anos deexcessos? R: Excesso foi Jim Morrison ter morrido por intoxicaçãoalcoólica, Jimi Hendrix ter morrido sufocado com seu própriovômito. Excesso foi não saber quando parar. P: Você chegou a um ponto em que renunciou às drogas? R: Não, a resposta está na moderação. Você pode usarqualquer substância que quiser, desde que o faça com moderaçãoe que você seja quem manda. P: Então o problema não eram as drogas, mas saber quandoparar? R: Você pode abrir as portas da percepção com drogaspsicodélicas, LSD e outras. Você abre as portas da percepção eenxerga a vida como ela é: infinita. P: Você ainda... R: Não, não. Você só faz isso na casa dos 20 anos e iníciodos 30. Depois dos 30 anos, é uma espécie de perversão. Uma vezabertas as portas da percepção, elas permanecem abertas. P: Como você passa seu tempo hoje? R: Vivemos em Napa Valley, temos um hectare de terra quecultivamos como hobby. Dorothy e eu plantamos verduras, temosalgumas galinhas e algumas árvores frutíferas. Passo trêsquartos do meu tempo plantando como passatempo e um quartofazendo música, turnês.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.