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Um mestre tailandês em terras mineiras

Diretor que venceu Cannes em 2010 participa de conferências e mostra

MARCELO MIRANDA , ESPECIAL PARA O ESTADO, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2013 | 02h08

O tempo é curto, mas Apichatpong Weerasethakul tenta aproveitar ao máximo a estada de uma semana em Belo Horizonte, onde está desde sábado.

É a primeira vez no Brasil do cineasta tailandês de 42 anos, ganhador da Palma de Ouro em Cannes em 2010 com Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas. Weerasethakul - ou Joe, como é conhecido - veio à capital mineira para participar do projeto Encontros, parceria entre o Memorial da Vale e o Inhotim Escola. Também abriu mostra no Oi Futuro dedicada a seus filmes, dentro do Festival Fluxus. Entre os títulos, estão sete curtas e ainda seu trabalho mais recente, o média Hotel Mekong.

Entre conferências, palestras, exibição de filmes e entrevistas, Joe passeou pela cidade e acompanhou pela TV à final entre Brasil e Espanha na Copa das Confederações, no domingo. Mas ainda refletiu sobre o atual momento do Brasil, com as manifestações nas ruas. "Cheguei num momento histórico do País", afirmou ele, que conversou com o Estado, na Praça da Liberdade.

Sua produção se divide entre o cinema e as artes visuais, com várias instalações feitas especialmente para a ocupação de galerias. Como você se relaciona no tráfego entre a atividade de diretor e de artista plástico?

Nos anos 1990, fiz alguns vídeos sem pretensões, até que um amigo sugeriu de eu me inscrever em galerias de arte. Consegui expor alguns vídeos e gostei do resultado. Depois que comecei a fazer cinema, me senti à vontade nos dois ambientes. Nunca pensei que são coisas totalmente diferentes e procurei equilibrá-las. É preciso pensar em como as pessoas vão interagir com o filme ou a instalação. O ambiente das artes visuais é muito livre, às vezes até demais, tanto que é preciso se impor algumas limitações. O cinema surge também como uma forma de salvação no sentido de achar o equilíbrio.

Você tem um estilo único tanto em cinema quanto no que produz em galerias. Essa linguagem acontece naturalmente ou é pensada e depurada?

Eu me inspiro em muitos artistas e diretores e me filio ao cinema americano e experimental dos anos 1960 e 1970. Mas também sou curioso em relação a contar histórias. Quando comecei a filmar na Tailândia, tentei juntar a estética que eu me lembrava da infância, e via todo dia na TV, com o trabalho experimental que me fascina. É tudo parte de um desenvolvimento que ainda não concluí. Não sei se posso chamar isso de estilo. Sigo meus sentimentos e instintos.

Os seus filmes são muito diferentes da produção tailandesa em geral, não?

O cinema tailandês se aproxima demais de Hollywood. Tento me lembrar da emoção, da estética dos filmes do passado que via antes de ir estudar fora. A indústria parou de apresentar novidades no fim dos anos 1980 e passou a dar prioridade à produção comercial e aos códigos de Hollywood.

Apesar da sua filiação ao experimentalismo sessentista, você cresceu vendo produções americanas. O que você via quando era garoto?

Adorava filmes-catástrofe, como O Destino do Poseidon (1972) e Terremoto (1974), e também histórias de horror, como Halloween (1978). Sempre fui atraído por filmes com algum senso de perigo.

Quando ganhou a Palma, como foi recebido na Tailândia, já que foi o primeiro cineasta do país a receber esse prêmio?

O país é muito dividido politicamente. Sempre simpatizei com a classe operária. Na época de Cannes, o outro lado, o das elites, me atacou na internet, dizendo que o prêmio tinha sido comprado (risos). De qualquer forma, ganhar a Palma de Ouro foi bom para o clima geral do país, porque as notícias por lá são sempre negativas. Mudou muita coisa para mim. Passei a viajar mais do que tinha sonhado em toda a minha vida. Em relação ao trabalho, eu não diria que tenha me modificado. Continuo fazendo tudo no meu ritmo, bem devagar, sem pressão.

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