Um mestre do "ismaelismo"

Em 10 anos de carreira, Nery caracterizou sua obra em três estilos: expressionismo, uma pincelada discreta pelo surrealismo e a maturidade ao dedicar-se ao cubismo. Este último, segundo Denise, se encaixa "admiravelmente bem à sua temática". Que o poeta e amigo Murilo Mendes denominava "ismaelismo". A Mendes também é dado o mérito de manter os desenhos. Nery pediu ao amigo que destruísse seu trabalho após sua morte. Mas o poeta, que conta ter conseguido salvar vários de seus desenhos do lixo, não atendeu ao pedido. Mas seja lá qual for o estilo, a singularidade e a luminosidade das telas são unânimes em seus trabalhos e chegam a impressionar. "Um dos objetivos dessa exposição é justamente esse: mostrar a luz, a cor, os traços de sua pintura, que livro nenhum consegue reproduzir, de um acervo que é raramente exposto ao publico, por pertencer a colecionadores". "Quero que as pessoas sintam a força poética de Nery e que vejam ao vivo uma pintura que é conhecida somente por meio de livros". A conturbada trajetória de Ismael Nery foi comparada à de Vicent Van Gogh pelo fato de ambos não terem conquistado espaço no mercado das artes. Mas, segundo Denise, a similaridade para aí, pois a pintura de Nery não é uma pintura torturada, mas sim poética ao abordar de formas diferentes o Eu, o masculino, o feminino, o bem e o mal. Antes de chegar a São Paulo, a exposição passou pela capital carioca, onde, por acaso, um dos netos de Nery viu o rico material e se motivou a criar um site contando a história do avó. O projeto deve ficar pronto só no ano que vem e será um museu virtual, de um personagem misterioso que a morte prematura mitificou.

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