Um lugar para a arte da performance

Mostra 'Verbo', da Galeria Vermelho, chega à 10.ª edição apresentando 25 ações de artistas brasileiros e estrangeiros

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2014 | 02h06

Em 2005, quando estreava o festival Verbo, na Galeria Vermelho, uma questão trazida pelo evento era a escassez de um lugar para a performance - "campo cheio de interrogações", dizia o galerista Eduardo Brandão - nas instituições e no mercado. Desde lá, nestes últimos anos, o cenário de arte brasileiro se transformou completamente, mas algumas perguntas relacionadas ao gênero performático conservam a mesma pertinência. "É o olhar do público que mudou, ficou menos superficial", afirma Marcos Gallon, organizador da mostra. Já parte do calendário paulistano, a Verbo 2014 começa hoje sua 10.ª edição, apresentando 25 ações de artistas nacionais e estrangeiros, além de exposições de obras e vídeos documentais e da realização de um seminário.

"O festival é como um terreno de experimentação na galeria", explica Marcos Gallon, que selecionou, com Eduardo Brandão, os trabalhos e participantes do evento. A nova edição traz, apesar de não ter um caráter histórico ou comemorativo, a presença de criadores referenciais da arte da performance contemporânea e da própria Verbo, como os brasileiros Maurício Ianês, Ana Montenegro, Marco Paulo Rolla e Cris Bierrenbach. De estrangeiros, Gallon chama a atenção para as ações da dupla espanhola Los Torreznos, do fotógrafo-performer italiano Manuel Vason, da holandesa Nina Glockner, do argentino Enrique Ježik (que criou a obra que está na fachada da Vermelho) e a exibição de vídeos da egípcia Amal Kenawy. No total, o público poderá ver obras de 20 artistas representados.

As performances ao vivo, por assim dizer, ocorrerão sempre às terças-feiras na Sala 1 da galeria e em seu pátio. Hoje à noite, para a abertura, Dora Longo Bahia preparou (em tom crítico) o trabalho Projeto para Inhotim. Ianês começará, também, a desenvolver a ação O Escritor, que deixará vestígios durante todo o festival, e a inauguração também comportará as performances Modelo Vivo, de Fabio Morais; Antifonia para Lira e Serrote, de Ana Montenegro e do músico Wilson Sukorski; e Metáfora, de Vason.

Já a terceira edição do seminário Verbo Conjugado abrirá, às quintas-feiras, discussões temáticas em torno do gênero - a primeira delas, esta semana, tem como título O Corpo e sua Imagem. Outras questões a serem abordadas serão Curar performance (com Solange Farkas, diretora do festival Videobrasil); e Onde Está a Obra de Arte? Onde Está o Artista? (com a galerista Jaqueline Martins).

Conta Marcos Gallon que os registros de todas as ações realizadas na Verbo desde 2005 serão exibidos em um segmento da edição. A história do festival vai se desdobrar, ainda, na edição de um livro a ser lançado posteriormente.

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