Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Um legado a duas vozes

Embora atuando separadamente desde 2009, os irmãos Evandro e Alexandre Martins Fontes se mantêm fiéis à orientação do pai, Waldir, que deu início ao negócio: apostar em obras de referência

01 Fevereiro 2013 | 22h56

A Martins Fontes já tinha publicado mais de mil títulos quando seu fundador, Waldir Martins Fontes (1934-2000), ex-funcionário da Petrobrás, para surpresa dos filhos, saiu-se com esta: "Um dia ainda vamos ser uma editora". Não foi uma boutade do editor, mas uma observação que iria guiar os passos de Alexandre (1960) e Evandro (1961). O patriarca pretendia com isso alertá-los para a importância de sedimentar um catálogo de excelência em lugar de se ocupar com best-sellers. Assim, a Martins Fontes cresceu lançando long-sellers, livros que vendem lentamente - e atestam a seriedade de seus editores.

Esse catálogo, que tem autores como Roland Barthes, Henry Bergson, Michel Foucault, Herbert Read, Mircea Eliade e tantos outros pensadores e intelectuais, começou a ser construído por um homem simples, cuja escolaridade não foi além do supletivo. Num dia 31 de dezembro, Waldir Martins Fontes pediu demissão da Petrobrás e começou a vender livros de porta em porta. Pouco tempo depois, em janeiro de 1960, aos 25 anos, abriu, na cidade de Santos, sua primeira livraria, batizada com o nome da família. Posteriormente, fundaria uma distribuidora e, enfim, a editora Martins Fontes - cujo primeiro título, O Corpo Tem Suas Razões, livro de Thérèse Bertherat, saiu em 1977.

Waldir era um visionário tão talentoso para os negócios que, em plena ditadura, chegou a publicar, com editoras portuguesas, autores censurados - não por motivos ideológicos, mas guiado pelo tino comercial, como lembra o filho Evandro, editor da Martins Fontes - Selo Martins.

Esse nome foi o escolhido por ele para sua editora quando, há quatro anos, decidiu, com o irmão, que era hora de dividirem o catálogo e seguirem, cada um, o seu caminho. Alexandre - homenageando o pai e os dois tios, Waldemar e Walter, sócios de Waldir no início dos negócios - optou pela letra inicial de seus prenomes ao criar a WMF Martins Fontes. As duas editoras mantêm fidelidade ao ideal dos long-sellers, embora possuam best-sellers como Onde Está Wally?, de Martin Handford, e O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien.

Alexandre e Evandro receberam na casa do primeiro três jornalistas do Sabático - o editor Rinaldo Gama e os repórteres Antonio Gonçalves Filho e Maria Fernanda Rodrigues - para uma conversa em torno da história do negócio da família, dos impasses do mercado editorial e dos planos de suas grifes. Ao longo de quatro horas, eles deixaram transparecer suas afinidades, diferenças e, sobretudo, o modelo que os norteia: o pai, cuja morte, ocorrida há mais de 12 anos, ainda lhes turva o olhar.

Antes de entrar no negócio do livro como vendedor de porta em porta, o pai de vocês, Waldir Martins Fontes, trabalhou na Petrobrás. Como foi essa mudança de área?

Alexandre: Nosso pai conheceu um vendedor pracista que disse: "Isso dá dinheiro". Então, ele foi vender livros da antiga Globo de Porto Alegre, de porta em porta, em Santos. Tinha 22 anos. Com 25, em janeiro de 1960, abriu a Livraria Martins Fontes.

Evandro: Seu primeiro sócio foi o Raimundo Rios, também vendedor de livros, que depois fundou a editora Global e mais tarde criou com meu pai a Distribuidora Catavento. O outro sócio era o nosso tio Waldemar, que trabalhava em farmácia. A entrada do segundo tio, Walter, se deu depois que Raimundo decidiu sair da livraria. Nosso avô, que ajudava na livraria, comprou a parte do Raimundo para o Walter.

Em um determinado momento, livros portugueses começaram a sair com o selo da Martins Fontes. Alguns daqueles autores eram proibidos pelo governo militar. Havia nessa iniciativa algo de resistência política?

Alexandre: Não. Não havia, digamos, um programa ideológico.

Evandro: Era comercial. Existia mercado para esses livros, então... Nosso pai não era uma pessoa de esquerda.

Alexandre: E estava longe de ser de direita. Para ser bem justo, ele era pouco sensível às questões políticas do dia a dia, voltado para o trabalho e sem nenhuma vocação para essa coisa política/social. Tanto que foi convidado ao longo dos anos para participar da diretoria da CBL e nunca aceitou.

Como a Martins Fontes passou de distribuidora e coeditora a editora?

Alexandre: O mercado editorial brasileiro começou a se desenvolver e, aos poucos, os editores detentores dos direitos internacionais começaram a perceber que os contratos assinados com editoras portuguesas tinham de ser revistos; era preciso separar os mercados. A Martins Fontes ficou numa posição delicada nessa hora, pois éramos o grande parceiro comercial dos editores portugueses. Iríamos publicar um livro que até meses antes estava sendo importado daquela editora? Se a Martins Fontes não fizesse isso, outras fariam. Nesse período, perdemos muitos títulos. Um dos que deixamos de publicar foi Tristes Trópicos, de Lévi-Strauss, que seria comprado pela Companhia das Letras no início de suas operações. Não preciso dizer que até hoje nós nos arrependemos. O Senhor dos Anéis se insere nesse momento. Meu pai fez uma oferta alta para aquela altura. Em 1990, ele pagou US$ 50 mil de adiantamento. Nosso pai morreu em 3 de novembro de 2000, pouco antes do lançamento do filme. Ou seja, ele não viu o fenômeno best-seller do Tolkien. Soube que o livro estava sendo adaptado para o cinema e não ficou feliz. Disse que ele perderia a aura cult. Mas o filme foi um sucesso e vendemos muitíssimo.

Vocês abriram mão de escolhas pessoais para trabalhar com o pai. Como foi isso?

Evandro: Desde que fui estudar cinema, imaginava que um dia poderia trabalhar na Martins Fontes. Enquanto vivia nos EUA, acompanhava o que estava acontecendo aqui. Meu pai me ligava toda semana e fazia uma radiografia do negócio.

E ele pedia para você trabalhar com ele?

Evandro: Sim. Foi uma intimação.

Alexandre: Foi?

Evandro: Sim. E foi engraçado. Ele pediu para um amigo dele de Santos, numa ida a Nova York, em 1994 ou 95, que fizesse isso. Aceitei a intimação, claro. Era um momento de mudanças na Martins Fontes e meu pai sempre me viu à frente do departamento comercial. O Alexandre entrou antes; fazia os projetos gráficos e as capas. Meu pai enxergava assim: um filho vai para o editorial e o outro para o comercial.

Alexandre: Fui estudar arquitetura porque sempre gostei das artes, de desenhar. Comecei na editora no início dos anos 1980, pelo lado do design gráfico. Mas entrei para valer em 1993, 20 anos atrás.

Evandro: Fiquei só um ano na editora. A mãe do meu filho que nasceu em Nova York decidiu voltar para seu país, a Ucrânia, e acabei uma vez mais me distanciando da Martins Fontes. Fiquei um ano e meio na Ucrânia e fui representante dos livros de idiomas da Cambridge, uma experiência que levei do Brasil.

Alexandre: Com o pai que tivemos, tão apaixonado e entusiasmado, era impossível não nos apaixonarmos também. Mas eu tinha uma preocupação de trabalhar na empresa do meu pai. Eu queria ter o meu próprio mundo, não queria virar aquele carinha ali, à sombra do pai.

A Martins Fontes tem um perfil de venda menos imediata, não?

Alexandre: Exatamente. Apostamos no longo prazo. Um amigo editor já falecido nos disse: "Nós não somos corredores de 100 metros rasos; somos corredores de maratona". Certamente me vejo assim e sei que o Evandro também.

Qual é o livro mais vendido da editora?

Alexandre: Tivemos muitos campeões de venda. Meu pai dizia que todo editor merece um best-seller pelo menos de dez em dez anos. A série mais importante para nós foi a tradução de O Senhor dos Anéis e todos os livros publicados pelo Tolkien. Vendemos mais de 1 milhão de exemplares. Dois outros grandes sucessos comerciais foram as séries Onde Está Wally? e Olho Mágico.

A Martins Fontes não é vista em grandes leilões comerciais. É uma opção editorial?

Alexandre: Se entendermos que o livro merece, certamente vamos participar. Quase com certeza vamos perder. Já participei de muitos leilões sabendo que perderia, mas fiz isso para mostrar que nós existimos. Quando pensam na Martins ou na WMF, os agentes literários dizem: "Ah, isso aqui é muito comercial, não é para o Evandro ou para o Alexandre’’. E eu sempre falo: ‘‘Olha, por favor, não deixem de mostrar nada porque também precisamos vender livro". Uma coisa é ser independente e apostar na média do seu catálogo e nos livros long-sellers. A outra é dizer que não quero publicar livro com potencial de venda alta. Eu quero sim. Também quero ter essa oportunidade.

Evandro: Fiz mestrado em edição na Universidade de Nova York, em 1998, e ouvi de um professor que a editora é um agente financeiro do mercado de livros. A editora paga um adiantamento de direitos para o autor - muitas vezes até antes mesmo de o livro ser escrito. Ela investe na produção do livro, consigna para a livraria. Com esta crise econômica que acompanhamos desde 2008, tenho traçado um paralelo entre o que ocorreu com o mercado financeiro e o que acontece hoje no mercado editorial. Nos EUA, alguns bancos emprestaram dinheiro para quem não tinha condições de pagar. Por conta disso, nós tivemos a bolha do mercado imobiliário. De certa forma, isso é o que acontece no mercado editorial: um editor publica um livro, paga um adiantamento alto num título que não vende, ou compra um livro como Harry Potter, que até onde sei a Rocco pagou um valor nada substancial e acabou fazendo um caixa que permite que ela dispute leilões oferecendo valores altíssimos. Tenho visto editoras que até ontem praticamente não existiam e por conta de sucessos comerciais acabaram se destacando. Um exemplo é a Intrínseca. No meu caso, hoje, não participo de leilão porque não tenho condições econômicas.

Se pudessem bancar, teriam no catálogo o livro de um autor como Nicholas Sparks ou um livro como 50 Tons de Cinza?

Alexandre: Essa é uma resposta complicada. Vamos esquecer por um segundo a qualidade literária. É muito difícil responder se eu recusaria publicar um livro que vendeu 500 mil exemplares em poucos meses, mas acho importante que a editora marque a sua linha editorial. Nada tenho contra best-seller. Você pode arriscar naquilo que é um potencial best-seller ou publicar o que considere um livro fundamental. Na hora que tenho essa escolha nas mãos, vou pela segunda opção. Nicholas Sparks não quero nem ouvir falar.

Evandro: Alexandre falou bem: é difícil dizer não para um livro que vende 300 mil exemplares num curto espaço de tempo. Mas minha preocupação é com a formação de um catálogo e com a busca de long-sellers. Lembro que a Martins Fontes já tinha por volta de mil títulos em catálogo quando meu pai disse: "Um dia nós ainda vamos ser uma editora". Acho que para se manter no mercado editorial hoje é preciso ter catálogo. E catálogo leva tempo para se formar.

Alexandre: Não dá para publicar Barthes e Foucault e querer estar na lista de mais vendidos. Esta é uma escolha de vida que fazemos o tempo todo.

Um best-seller que também é um long-seller, como a obra do Tolkien, não garante a publicação de Foucault e Barthes?

Alexandre: Mas como conseguimos prever o que será um best-seller? Uma vez encontrei o Paulo Rocco numa feira e ele me disse que, de dez títulos que publicava, só conseguia vender três. Essa frase certamente não sairia da nossa boca. Lançamos livros que precisam vender ao longo dos anos.

Evandro: O que fez de O Senhor dos Anéis um best-seller definitivamente não foi o texto, foi o cinema. Vendemos mais nos primeiros meses após o lançamento do primeiro filme do primeiro episódio do que na década de 1990. Costumo dizer que a natureza do livro é lenta. Ele demora para ser escrito, para ser produzido e vendido. Um livro é capaz de ficar anos na prateleira de uma livraria até que apareça o cliente. Então, pensando nesse imediatismo, até quando Nicholas Sparks vai ser um best-seller? Até quando esse modismo de livros eróticos vai continuar?

O catálogo da Martins Fontes é repleto de obras complexas de filosofia, sociologia, psicanálise, etc. Terá ficado para trás algum título pela dificuldade de encontrar tradutores?

Alexandre: No ano passado, devolvi um título do Habermas para a Suhrkamp, porque não consegui encontrar tradutor capaz de pegar aquela obra.

Por que, então, não publicar brasileiros?

Alexandre: Não temos um editor de campo que vá para a universidade conversar com os professores. Para publicar bem autores nacionais, a editora tem de investir nisso. Nosso trabalho com os brasileiros ainda é muito passivo.

Evandro: Não dá para fazer tudo. Para fazer bem alguma coisa você tem que, cada vez mais, fechar o foco.

Voltando à história da empresa. As notícias da época da morte de Waldir dizem que a causa era desconhecida. Qual foi?

Alexandre: Meu pai morreu aos 66 anos. Era um homem saudável e estava em plena produção. Ele morreu no dia 3 de novembro de 2000. No meio do ano, andando por Lisboa, sentiu-se muito cansado. Chegando aqui, em junho, estava exaurido. Fez todos os exames e os resultados eram perfeitos, só tinha uma pequena anemia. Um mês depois, a anemia estava pior. Ele começou a tomar injeções, que depois foram proibidas, e, em agosto, fez o exame novamente. A anemia estava pior e eu o internei.

Evandro: Ele tinha um quadro clínico parecido com linfoma e decidiram iniciar o tratamento de quimioterapia. No dia seguinte à primeira sessão, ele faleceu. Então, o que o matou foi a quimioterapia.

No momento em que todas as editoras procuravam uma saída financeira para a crise de 2009, por meio de fusões, a Martins Fontes seguiu o caminho oposto, dividindo-se em duas editoras. Por que a separação?

Alexandre: O Evandro é um cara superpreparado, tem muitas qualidades. Mas temos personalidades distintas, evidentemente fortes, e, resumindo, eu diria o seguinte: tenho muito orgulho do que foi feito.

Evandro: Foi o caminho oposto que depois deu certo.

Alexandre: Estamos aqui os dois conversando. Preservamos nossa relação pessoal e a editora continua. Se tivéssemos forçado a barra, talvez não estivéssemos mais nesta condição que estamos.

Alguma grande diferença entre a gestão das empresas?

Evandro: Há um ano e meio não consigno para nenhuma livraria, nem para a Martins Fontes Paulista, do Alexandre.

Vocês já foram assediados para vender a empresa?

Alexandre: Durante o processo da cisão, sim. Mas nunca recebemos uma proposta concreta.

Evandro: Acho que vale uma reflexão sobre a razão de editoras estarem sendo vendidas. O Marcus Gasparian decidiu vender a Paz e Terra. A Companhia das Letras vendeu metade do seu capital. A Objetiva, também. O mercado editorial mudou da morte do papai para cá. Passou-se a se exigir das editoras um grande desempenho. Conheço um pouco o mundo do cinema e da TV, e um dos prazeres de estar diante de uma editora é que nela ainda há espaço para ser independente. Mas o futuro preocupa.

Diante da situação atual do mercado, não seria vantajosa uma nova fusão?

Alexandre: O futuro a Deus pertence. Logo que decidimos nos separar, um jornalista perguntou isso ao Evandro e ele respondeu: "Claro que existe essa possibilidade, pois, afinal, Alexandre é meu irmão". Sinto da mesma forma. Mas neste momento, na prática, não vejo isso. O Evandro está feliz, imprimindo o ritmo dele, e eu também. Financeiramente até poderia estar ganhando mais, mas era assim: "Vamos consignar!" "Não vamos consignar!" Sabe? Que chato...

Como veem o atual momento: concorrência, preço, leitura?

Alexandre: O mercado está muito mais agressivo.

Evandro: É um mercado que cresce. O governo tem esses programas de compras, tem investido bastante.

Alexandre: A briga é cada vez maior. Num bom sentido. É briga por espaço dentro das livrarias, briga para ter o livro na imprensa, para comprar os direitos. As empresas precisam ter cada vez mais clareza das suas estratégias. O Evandro, por exemplo, tem uma clareza muito grande das estratégias dele. O que ele está fazendo eu não estou fazendo: ele tem uma empresa enxuta e estratégia comercial clara.

Como o mercado recebeu a decisão da Martins de não consignar mais e reduzir os descontos?

Evandro: Há editora que consigna com desconto de 60%. A palavra consignação não existia no vocabulário do meu pai. Desconto alto era uma coisa também com a qual ele tinha uma dificuldade muito grande.

E vende mais ou menos com essa postura?

Evandro: Menos, mas tenho despesa menor.

O que pensam a respeito do livro digital?

Alexandre: O e-book está aí e veio para ficar. Não tem um editor no mundo que possa se dar ao luxo de não dar atenção para esse assunto. Não temos mais e-books por questão contratual. Estamos escolhendo os livros que vendem mais e priorizando esses títulos. Ainda não vendemos o produto na livraria, mas estamos trabalhando nisso. É só uma questão de tempo. Digamos, quatro ou cinco meses.

Evandro: Não tenho interesse nenhum em comercializar e-books através das livrarias, mas brevemente começo a vender e-books como editor. Tenho uma visão bastante crítica quanto ao que acontece hoje. Primeiro, não acredito nesse dispositivo chamado e-reader, um produto fabricado na China, um país totalitário, onde se paga um valor muito baixo pela mão de obra, e comercializado pelos americanos. É uma espécie de neocolonialismo. Não me interessa entrar nisso e ficar vendendo esse aparelhinho.

Quantos funcionários têm as empresas?

Alexandre: 140. É uma paulada total.

Evandro: Tenho cerca 50 funcionários e...

Alexandre: Gostaria de ter menos.

A WMF está demitindo neste momento.

Alexandre: De fato, mas é um ajuste que acontece em qualquer empresa.

O que acham que tem que ser feito para garantir o futuro das livrarias?

Evandro: Sou a favor da lei do preço fixo, mas o assunto caiu no esquecimento.

Alexandre: Concordo. Isso fortalece as livrarias e o mercado editorial como um todo. Estou convencido de que mercado de livro impresso continuará existindo e, na medida que ele continuará existindo, você terá necessidade de livrarias.

Qual o modelo ideal de livraria?

Alexandre: Diria que uma como a McNally Jackson de Nova York, mas não é fácil. Hoje, no Brasil, temos um problema seriíssimo de mão de obra. Não temos nos departamentos de compra pessoas com formação e capacidade de fazer a seleção que vi lá.

Evandro: Mas tem uma questão comercial aí. Precisamos de margem, e as margens que uma editora oferece para uma rede são muito superiores às oferecidas a uma livraria independente. Quando questiono o futuro das livrarias, não é por conta da venda de livros em formato digital somente. É pela facilidade de comprar o livro físico na web.

Alexandre: Acredito que o livro físico continuará sendo vendido por muito tempo, apesar de acreditar também que o livro digital veio para ficar. Como serão esses espaços, o futuro vai dizer. A boa notícia é que a livraria continua em pleno crescimento em todos os sentidos - de espaço e venda.

Quanto foi o crescimento em faturamento?

Alexandre: Nos últimos anos, período pós-cisão, a livraria da Paulista cresceu 47,57%.

Quantos livros planejam lançar em 2013?

Alexandre: A WMF deve lançar entre 75 e 80 títulos.

Evandro: Eu vou lançar 40, a metade. Talvez seja um pouco mais conservador.

Em algum momento pensaram em desistir desse negócio, sentiram desânimo?

Alexandre: Não, nem por um segundo.

Evandro: Não penso em desistir, mas estou disposto a encarar outros desafios se tiver de encarar.

Estão preparando a outra geração para assumir a empresa?

Alexandre: Meus filhos estão cuidando da vida deles. Mas isso que aconteceu conosco, dois filhos que gostam do negócio do pai e levam para frente, é raro acontecer.

Evandro: É muito cedo para pensar numa próxima geração no negócio. Temos um desafio muito grande na próxima década: conseguirmos nos manter vivos.

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