Um labirinto de tecidos e música

Música e tecidos translúcidos são os elementos para a experiência de tempo e memória na obra A Soma dos Dias, que o artista Carlito Carvalhosa inaugura hoje, às 11 h, no octógono da Pinacoteca do Estado. Duas espirais de panos TNT caem desde 15 metros de altura do teto de vidro daquele que é o ponto central do prédio do museu formando, assim, um espaço não de contemplação, mas de percurso - já de fora dele os sons das composições de Philip Glass em 54 alto-falantes convidam o visitante a entrar no interior do labirinto branco e de levezas. "É no caminhar que se chega a uma sensação de ascensão e se revela algo", diz Carlito.

Entrevista com

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

Por isso a música tem o mesmo peso que a própria intervenção escultórica - ou uma espécie de ideia de escultura porque é tão mínima - do artista plástico. Carlito conheceu Glass na década de 1990 no Rio e com ele travou amizade. Agora, nessa oportunidade de criar uma obra para um espaço especial da Pinacoteca, resolveu convidar o músico para uma colaboração - e Glass, sabendo do conceito da obra, escolheu ele próprio um repertório variado de composições percorrendo sua trajetória entre 1969 e 2004. O músico fará apresentações, para convidados, no início da semana no interior do labirinto de tecidos - depois, até 7 de novembro, quando se encerrar a mostra, suas músicas serão executadas por alunos da Tom Jobim Escola de Música.

Neste "outro lugar" que Carlito criou no centro da Pinacoteca (Pça da Luz, 2, tel. 3324-1000), os visitantes têm papel fundamental. Se transformam em volumes na peça, levam suas memórias e, ainda, têm gravados em microfones suas passagens pela obra. Enfim, todos os sons (incluindo a música) se juntam na beleza de A Soma dos Dias.

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