Um gravador no início de tudo

Com o presente do pai, Natalie Cole começou a cantar; hoje ela está em SP

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2011 | 00h00

Anos se passaram antes de Natalie Cole conseguir encarar a música de seu pai, o insofismável gigante do piano e da voz, Nat King Cole. "Eu achava que se cantasse o repertório dele, ficaria marcada para sempre por não conseguir fazer algo no mesmo nível", conta a cantora, que faz show hoje no Via Funchal. "Por isso, no início da minha carreira, tentei um caminho diferente", completa. Esse caminho, diz Natalie, foi influenciado tanto por Aretha Franklin quanto por cantoras brancas como Janis Joplin e Laura Nyro (esta última, uma das vozes mais subvalorizadas da história do rock). Mas se Natalie evitou o jazz, certamente não buscou uma identidade que a levaria para longe dos holofotes que tinham iluminado a carreira de seu pai.

O primeiro disco, lançado pela Columbia, a mesma gravadora de Nat, levou o R&B comercial de Natalie ao topo das paradas. O sucesso foi repetido diversas vezes, Natalie colecionou discos de platina e Grammys e manteve a receita durante os anos 80, adequando suas canções à estética da época.

"Quando eu resolvi fazer o disco, já tinha uma história, já havia gravado Bruce Springsteen e tinha conseguido construir uma identidade própria", conta Natalie sobre Unforgetable... with Love, o trabalho que marcou sua carreira. É irônico que, depois de tanto tempo evitando o jazz, Natalie tenha ficado conhecida por cantar duetos editados, em que sua voz foi adicionada a versões de clássicos de Nat. Straighten Up and Fly Right, Mona Lisa, Paper Moon e Nature Boy, estavam em Unforgettable, que vendeu mais de sete milhões de cópias e foi elogiado pela crítica. "Qualquer artista que seja filho de um ícone sofre para se encontrar. Você acaba competindo com o seu familiar, às vezes não por vontade própria, mas porque a mídia, a crítica e os fãs fazem isso", conta.

Embora seu momento de fama tenha vindo quando finalmente fez as pazes com a música de seu pai, a cantora conta que não teve pressão nenhuma quando era criança. "Certa vez, meu pai percebeu que eu gostava de cantar e me deu um gravador. Foi o único incentivo. O resto veio de passar tempo com ele durante as turnês, de vê-lo ensaiar em teatros e auditórios", explica.

A cantora não quis revelar o repertório da sua apresentação mas disse que os fãs podem esperar os melhores momentos de toda a sua carreira, que nos últimos anos foi sustentada por turnês. Mesmo longe dos estúdios, Natalie não economiza opiniões sobre o pop moderno e suas estrelas. Quando o assunto chegou em Kanye West, Natalie disse: "Ele é fenomenal, mas não consegue se divertir com o que faz. Quando ele parar de surtar e começar a se divertir, ele vai se sentir melhor".

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