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Um grande bazar de especiarias

Em sua segunda edição, o festival 'Istambul Agora' tem programação variada com música, dança, cinema, exposição

LAURO LISBOA GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2013 | 02h07

Caminhando poucos metros por alguns quarteirões de Istambul, é possível ouvir músicos de rua tocando jazz europeu, pop estilo black, música folclórica local, da Armênia, da Grécia, do Oriente Médio, violino de origem húngara, canto de ópera à moda dos anos 1920. "Tão vibrante, tão mágico, tão diversificado." Essa é a impressão que transmite o compositor, músico, DJ e produtor Arkin Allen, ou Mercan Dede, uma das principais atrações da segunda edição do festival Istambul Agora, cuja programação musical se estende até o dia 26, no Sesc Pompeia.

Essa mesma impressão teve o cineasta Fatih Akin ao realizar o fabuloso documentário Atravessando a Ponte - O Som de Istambul, que volta a ser exibido no Cinesesc, dentro da programação de cinema turco do festival. O evento também tem workshops, conversas, exposição do artista plástico Hüsseyn Alptekin e teatro infantil. O forte da programação é a música, com atrações de diversos estilos, incluindo Insanlar, nova banda do DJ Baris K, que toca hoje, a cantora e pianista de jazz-pop Karsu Donmez e vários DJs. Veja a programação completa no site www.sescsp.org.br.

Nessa primeira vinda ao Brasil, Mercan Dede traz seu projeto Secret Tribe, que, como Istambul, única cidade dividida entre Europa e Ásia, é hipnótica, equilibrando "o lado leste e o oeste, o velho e o novo, o histórico e o futurista, o acústico e o digital, o mecânico e o espiritual". "Tudo se trata de pontos de encontro. Não estamos interessados no que nos separa, mas no que nos conecta e nos unifica como humanidade, não importa nosso gênero, cultura, idioma ou crença."

Na primeira apresentação, na quinta-feira, dia 23, Mercan Dede traz o show Sunrise, título de um dos dois CDs do novo álbum, Dunya (o outro é Sunset), com instrumentos acústicos, som suave e com participação de um dervixe com seu rodopio que leva a uma espécie de transe. No dia 26, eles dividem o palco com o DJ Jonny Rock, encerrando o festival em clima mais dançante.

Entre os álbuns mais importantes de Mercan Dede, três são inspirados nos elementos naturais (água, fogo e ar) e ele diz que sua única intenção na música é espiritual. "A batida do coração é a primeira percussão que nós todos ouvimos dentro do útero de nossa mãe, por isso a percussão é o primeiro instrumento desenvolvido pela humanidade. Em todos os meus álbuns gravo batidas de coração reais, às vezes de um bebê, às vezes de um velho avô. Isso me conecta ao sentimento primal. A natureza é também nossa mãe, por isso a chamamos de mãe-natureza. Todos os sons da natureza são relacionados a certas emoções e eu adoro usá-los na minha música."

Allen diz que gosta de samba e bossa nova e admira a força rítmica da música brasileira. Ao mesmo tempo diz que é excitante desembarcar pela primeira vez num país que não conhece e descobrir novidades. E fez uma sugestão curiosa: "Tive uma grande ideia. Por que você não me indica uma canção brasileira muito famosa, uma que todo mundo conheça, e talvez eu possa fazer um cover oriental dela?"

Suas apresentações são levadas pela espontaneidade, pela criatividade e pelo enfoque no que é feito sob medida. "Então, se eu fosse um famoso cozinheiro e você me perguntasse o que eu prepararia para os amigos brasileiros, eu diria que primeiro iria encontrá-los, depois iria a um mercado local, compraria legumes e frutas frescas e inventaria pratos com minha criatividade, não levaria comida congelada da Turquia", diz. Portanto, teremos boas surpresas com misturas de vários sabores.

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