Um gênio da polifonia

Texto destacou talento de Johann Sebastian Bach na composição de peças para vozes humanas, conjuntos de instrumentos e solistas

Günter Sarfert, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2010 | 00h00

Bach atua de diversas maneiras sobre nós. A alguns causa apenas tedio, a outros maximo entusiasmo. Estes ultimos ficam às vezes indecisos ante a escolha do que mais lhes agrada na musica do mestre; se sua profundidade, sua perfeição formal, sua clareza, sua logica, sua espontaneidade, sua riqueza sonora etc.

O que talvez mais prende a atenção em Bach é a perfeição da sua polifonia. A polifonia de Bach é algo de especial. Sem duvida, existiram ao lado dele muitos outros compositores polifonicos de notaveis recursos tais como Vivaldi, Haendel, Palestrina, os flamengos em geral etc. Mas a sinfonia de Bach é inconfundivel. É excepcionalmente plastica com um grau de modelagem tão caracteristico, que não só acha semelhante na linguagem musical de outro compositor.

A simultaneidade das vozes ou melodias que formam a textura sonora é para Bach uma condição quase natural de composição. Não se pode negar que Bach possui também notavel invenção melodica em si, sendo capaz de conceber belissimas melodias, ou formas musicais individuais. Mas, inteiramente à vontade ele só se sente mesmo entrelaçando elementos musicais distintos. O que para outros constitui um empecilho, uma dificuldade quase insuperavel, é para Bach praticamente um "modus vivendi" habitual. A justaposição das frases musicais diferentes é feita com tal segurança e habilidade, que o ouvinte, ante o efeito enxuto e cristalino da forma final superposta, não chega nem a perceber, na maioria das vezes, o grau de requinte e o esmero desse entrosamento sonoros.

Um exemplo interessante são as areas das paixões, das missas, das cantatas, do "Magnificat" etc. Exemplo clarissimo de polifonia tipicamente Bachiana. Consistem geralmente de duas melodias, e não uma só. Uma fica a cargo de um instrumento solista, ou grupo de instrumentos; a outra é cantada pela voz humana. A melodia instrumental começa antes; num certo ponto do desenvolvimento musical junta-se-lhe a melodia vocal, para prosseguirem lado a lado seu caminho, enquanto o resto da orquestra, ou o continuo, tem função apenas acompanhante.

As duas melodias são diferentes, embora uma tenha estreita relação com a outra. O confronto, a simultaneidade dos dois desenvolvimentos traz situações de extraordinária beleza plastica e grande riqueza sonora.

Nesse ponto Bach é diametralmente oposto ao "bel canto" italiano, onde impera a beleza individual da melodia singular, onde se fundem os efeitos da simetria da frase musical com o encanto sensual da voz humana, ficando os instrumentos acompanhantes reduzidos à função de sublinhar a frase melodica, de fornecer o fundo e a atmosfera sonora e ritmica propicia ao desenvolvimento da melodia. (...)

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