Um filme feito em equipe

Um filme de produtor artesanal. Assim pode ser definido Abismo Prateado, que concorre na Quinzena dos Realizadores. Orçado em R$ 3,5 milhões, é dirigido pelo veterano Karim Aïnouz (de Madame Satã, com o qual estreou em Cannes, em 2002, na Un Certain Regard) e foi concebido por Rodrigo Teixeira e sua equipe da RT.

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2011 | 00h00

"É claro que o filme é do Karim. Porque ele não é só um diretor convidado. O nome Quinzena dos Realizadores diz bem a que vem o filme. É uma realização em conjunto. O Karim é o autor. E nós, os idealizadores e produtores. Sugerimos o tema, a corroteirista (Beatriz Bracher), a atriz principal (Alessandra Negrini). Realizamos com dinheiro da Caixa Econômica Federal. E desde sempre pensamos em pôr o filme em Cannes. Estamos muito felizes", diz Teixeira, que cada vez mais traz sua forma de adaptação do "cinema de produtor" americano para o mercado nacional.

Para ele, a lista dos brasileiros em Cannes deste ano é sinal de rejuvenescimento do cinema nacional. "Essa combinação entre experiência que a Sara tem com a inovação do Marco e da Juliana, da nossa com a do Karim, é prova de que as gerações trabalham juntas. É uma grande conquista. Tanto quanto a direção, abrir caminho no mercado de produção é difícil."

Aos 34 anos, Teixeira também faz sua estreia na Croisette. Empreendedor, é famoso por adquirir direitos autorais de livros e músicas e investir em adaptações para o cinema e a TV. Tem no currículo títulos como Natimorto (em cartaz) e O Cheiro do Ralo, adaptações de livros de Lourenço Mutarelli, finaliza Heleno, com Rodrigo Santoro, Não Deixe a Júlia Ir Embora, de Matheus Souza, e se prepara para filmar a cinebiografia de Tim Maia, cujos direitos adquiriu. Vale lembrar que Abismo Prateado é a "versão para o cinema" da canção Olhos nos Olhos, de Chico Buarque. O cantor, aliás, é esperado na Croisette para a estreia do filme, dia 17.

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