Um filme duro e sofrido

Doze anos depois, a vida em família deixou de ser uma festa para Thomas Vinterberg, mesmo se, em Festen, a comemoração do aniversário do patriarca fosse o estopim para a revelação dos podres que eram mantidos em segredo, como o próprio abuso dos filhos. Havia, em Festa de Família, a despeito da miséria moral, o relativo conforto de um grupo social privilegiado. Em Submarino, baseado num livro cult, Vinterberg vai aos subterrâneos de Copenhague, ao underworld de sua cidade.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2011 | 00h00

É a história de dois irmãos que seguiram trajetórias diversas e se reúnem por causa da morte da mãe, que os negligenciava na infância. O filme abre-se com a morte de uma criança - como em Anticristo, de Lars Von Trier. Os sobreviventes viram um alcoólatra amargurado e um drogado. O primeiro chama-se Nick e acaba de sair da cadeia. Sua história, e a relação com uma sem-teto que perdeu a guarda dos filhos, ocupa a primeira metade do filme. O outro nem nome tem. É identificado como "irmão de Nick" ou "pai de Martin".

Vinterberg não funde as duas tramas cronologicamente. É como se ele adotasse essa estrutura para mostrar a falta de conexão entre os irmãos nas suas vidas adultas. A ideia é filmar a miséria, material e moral, mas sem miserabilismo. O pai de Martin perdeu a mulher num acidente de carro e agora tenta equilibrar a dependência com a responsabilidade de cuidar de uma criança. O amor do filho vai redimi-lo, mas até chegar lá o filme é duro, sofrido. Vinterberg não exagera ao dizer que se trata de uma história de queda e redenção, no espírito do patriarca do cinema dinamarquês, Carl Theodor Dreyer.

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