Um escritor inseparável da vocação de repórter

Fernando Morais vive de escrever, e gosta do que faz. Mas, por mais que seja reconhecido e até aclamado como escritor - sua obra já merece estudos acadêmicos -, ele continua se considerando repórter. Quer contar boas histórias e aparelha-se para isso. Às vezes, surgem acidentes de percurso. "Como no jornalismo, é bom não se envolver com as fontes. Criei um envolvimento maior com Paulo Coelho e quando fui escrever o livro sobre ele, travei. Havia coisas muito íntimas que eu hesitava em abordar. Minha mulher me fez ver que o Paulo, em nenhum momento, me havia pedido que não abordasse esse ou aquele tema. Como que eu ia censurar o leitor?"

O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h10

Corações Sujos nasceu de seu desejo de contar uma história pouco conhecida, e que o apaixonou. "O editor encheu um container de livros e lançou no Japão. Me chamou para autografar. Tínhamos palestras seguidas de sessões de autógrafos em comunidades onde havia brasileiros. O interesse foi sempre extraordinário."

Mas não foi fácil convencer os entrevistados a encarar a realidade. "Os japoneses que entrevistava se perguntavam o que eu, um gaijin, queria contando a história deles. Tive de convencê-los de que era melhor que fosse eu, que não tinha envolvimento com nenhuma das partes e poderia contar de forma isenta, mas não desapaixonada." Morais não se envolve nos filmes. Os adaptadores têm toda autonomia. "Achei muito interessante que o Vicente (o diretor Amorim) tenha recontado uma história de homens pelo ângulo de uma mulher, o que não ocorre no livro."

Ele vendeu os direitos do título recente Os Últimos Soldados da Guerra Fria para o investidor Rodrigo Teixeira, mas um trecho do livro, o resgate de crianças cubanas levadas para os EUA, está sendo desenvolvido como argumento para outra parceria com Amorim, Operação Peter Pan. Morais escreve o roteiro de um documentário sobre a crise econômica para a Paranoid, empresa de Heitor Dhalia. E o próximo livro vai cobrir a vida de Lula da prisão até a reeleição - "Os 30 anos mais interessantes", avalia. Chatô, enfim, vai sair. "Guilherme Fontes me disse que o filme está pronto." Amante de cinema, que vê em casa, ele não perde a novela Avenida Brasil. "Comecei a ver porque João Emanuel Carneiro (o autor ) fez a última adaptação de Chatô." Ele adora o confronto Carminha/Nina, curte o núcleo da loja e não gosta do pessoal da zona sul. / L.C.M.

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