Um editor de histórias

A saga do publisher que trocou a economia pelas letras e criou uma das maiores editoras do País

UBIRATAN BRASIL, MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2013 | 02h17

Paulo Rocco estudava Economia quando soube da vaga de gerente aberta na editora Sabiá, de Fernando Sabino e Rubem Braga - dois de seus escritores preferidos à época. Não tinha experiência alguma de trabalho, mas em 1967, aos 22 anos, tinha a ousadia juvenil. Os dois pagaram para ver e acolheram o garoto.

A Sabiá foi vendida para a José Olympio, e Paulo foi para lá também. Três anos mais tarde e oito anos depois daquele primeiro encontro com os cronistas editores, Paulo Rocco abria a própria editora. O nome não seria Rocco, mas a agente literária espanhola Carmen Balcells rasgou o papelzinho em que Paulo anotou suas ideias e decretou que seu sobrenome era a única opção.

Nesses 38 anos, a Rocco teve alguns golpes de sorte, mas não só, garante o proprietário, que prepara o filho João Paulo para a sucessão. Foi a Rocco que revelou Paulo Coelho, que arriscou publicar um livro sobre um bruxo sem imaginar que a série Harry Potter alcançaria a marca de 4 milhões de exemplares. E arriscou comprar os direitos de um autor estreante que depois surpreenderia a todos ao ter sua identidade revelada: Robert Galbraith era J. K. Rowling, a criadora do bruxinho.

Mas ela é, também, editora de Tom Wolfe, Julian Barnes e de uma nova geração de autores brasileiros. "Sei que muitos livros que edito não darão resultado financeiro, mas isso não me preocupa. Estou deixando o legado de uma editora que lançou bons títulos no mercado e deu chance a todos para uma renovação", diz.

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