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Um duelo no palco do bardo ateu

Stephen Greenblatt e James Shapiro, autores de obras sobre Shakespeare, se enfrentam na Flip

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 21h35

A luta vai ser boa. De um lado, Stephen Greenblatt, autor de um livro fundamental sobre o maior dramaturgo inglês, Como Shakespeare se Tornou Shakespeare (Companhia das Letras). Do outro, o professor da Columbia University, James Shapiro, autor de 1599 - Um Ano na Vida de William Shakespeare (Planeta). Eles se enfrentarão no dia 6 de julho, às 12 horas, na mesa que discute o autor de Hamlet na 10.ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), mediada pelo jornalista Cassiano Elek Machado.

Greenblatt é um especialista na obra de Shakespeare. Shapiro estudou como nenhum outro acadêmico o papel do ceticismo na obra do dramaturgo inglês. Greenblatt tem como vantagem sobre o adversário o título de pai da corrente teórica chamada de “novo historicismo”, por ter usado o termo pela primeira vez (nos anos 1980) num número da revista Genre, da qual foi editor. No novo historicismo, importam tanto o contexto em que foram produzidas as obras como as influências sofridas pelo autor, além das relações entre literatura e sua vida pessoal.

Foi assim que Como Shakespeare se Tornou Shakespeare surgiu como uma alternativa ao novo criticismo, por assumir a vida do autor como fator importante para o entendimento de sua obra. 

Ao entrar na intimidade de Shakespeare (1564-1616), praticamente ignorada pelos historiadores, Greenblatt o descreve como um homem generoso e consciente das grandes questões do seu tempo, relacionando o catolicismo da família do dramaturgo (ateu) às dúvidas filosóficas de Hamlet sobre a transcendência da alma. Também a morte do filho do dramaturgo (Hamnet) teria, segundo ele, inspirado a de Cordélia, na tragédia Rei Lear (ela era filha do protagonista).

Shapiro considera igualmente importante relacionar a obra do dramaturgo aos fatos históricos. Seu 1599 - Um Ano na Vida de William Shakespeare fala de um momento crucial para sua evolução artística, pois a idade avançada da rainha Elizabeth I teria levado o dramaturgo a refletir sobre o destino da Inglaterra diante da rebelião irlandesa e a ameaça da Armada Espanhola às portas de Londres, em 1599. Esse foi o ano em que Shakespeare começou a escrever Hamlet. E também o ano em que se falou pela primeira vez da imperialista Companhia Britânica das Índias Orientais. Não por acaso, diga-se.

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