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Um domingo de Thai Son e Pogorelich na Sala São Paulo

Num fim de semana premiado em que os paulistanos já têm Matisse na Pinacoteca, Kandinski e Maliévitch no CCBB e o gênio criativo de Cristian Lacroix na FAAP - para ficar só em alguns - os deuses da música ainda resolveram brincar com o destino. A sede das estripulias é o palco da Sala São Paulo, onde se cruzam amanhã os pianistas Dang Thai Son e Ivo Pogorelich. Eles se cruzam, mas não se encontram. O vietnamita ali aparece às 11 da manhã, o croata às 17 horas deste domingo. O forte de Thai Son (que já entra no palco esta noite) é o Concerto nº 1 de Mendelssohn. O de Pogorelich (só amanhã), é o Concerto nº 2 de Chopin.

Gabriel Manzano Filho, de O Estado de S.Paulo,

19 de setembro de 2009 | 12h06

 

O que os une, ou separa, é um memorável Concurso Chopin de Varsóvia de 1980 - já na época tido com uma "Copa do Mundo do Piano". Lá chegaram no verdor de seus 20 anos, como grandes sensações, e justificaram a fama. Mas uma tormenta se desencadeou, daquelas de ópera de Wagner, quando Pogorelich foi eliminado na semi-final e o júri se dividiu. Alguns de seus membros, como Marta Argerich, abandonaram a sala, numa balbúrdia que transbordou para as manchetes da Europa inteira.

 

 

 

 

Thai Son levou tudo: foi o primeiro em mazurkas, em scherzos, estudos, concertos... A Ásia inteira decretou feriado nacional. Pela primeira vez alguém daquelas bandas vencia uma disputa de tamanha importância. A fama de Pogorelich também se espalhou. Todos queriam comparar como eles tocavam, por exemplo, o Scherzo nº 2 de Chopin. O croata acabou ganhando prestígio por um concurso que perdeu.

 

Thai Son, no alto do Olimpo, comemorava um destino improvável. Nascido em Hanói - hoje Cidade de Ho Chi Minh, capital do Vietnã - ele cresceu debaixo das bombas dos invasores franceses, primeiro, depois as dos americanos. A mãe, dona de conservatório, levava o menino pra lá e pra cá, passando semanas em abrigos subterrâneos, onde ele ia, aos trancos, se acostumando às valsas e sonatas. Mal comparando - ou bem? - se o presidente Lula pode alardear que é "um torneiro mecânico que se tornou presidente", ele pode dizer que é "um alvo das bombas imperialistas que aprendeu piano em abrigos subterrâneos e se tornou um dos maiores artistas do planeta". É bem mais comprido, claro, e menos carismático. Mas as duas meias-verdades são do mesmo tamanho.

 

Só aos 14 anos Thai Son teve em mãos um primeiro disco. Era Marta Argerich. Com ela o jovem descobriu que seu negócio era mesmo o piano.

 

Depois de Varsóvia, os dois correram mundo, exibindo seus dotes por todos os palcos, com todas as orquestras, gravando e ensinando. O meio-reencontro dos dois neste domingo, em São Paulo, é um puro capricho do destino, para ser curtido por quem entende que a vida, entre tantas definições, é um curioso jogo de provocações e brincadeiras.

 

Dia 20 de setembro

 

ORQUESTRA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO

 

Fabio Mechetti, regente

Dang Thai Son - piano

De Samuel Barber

Meditação e Dança da Vingança de Medéia, Op.23a

Felix Mendelssohn-Bartholdy

Concerto nº 1 para Piano em sol menor, Op.25

Richard Strauss

Till Eulenspiegels lustige Streiche, Op.28

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