Um clarão no céu de Minas

Festival de Brasília enche de prêmios a produtora mineira Teia com seu filme O Céu sobre os Ombros

Luiz Zanin Oricchio/ BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2010 | 00h00

O concorrente mineiro O Céu sobre os Ombros, do mineiro Sérgio Borges, se consagrou como grande vencedor do 43.º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Além do Candango de melhor filme, faturou os prêmios de direção, roteiro, Prêmio Especial do Júri (para os personagens-atores) e montagem. Pode-se dizer que o júri acertou,

Ao relatar uma fatia de vida dos seus três personagens, Borges mostra como é possível ser inventivo e ousado no trato da forma sem com isso perder de vista a profundidade e a complexidade dos personagens. Sem essa síntese, o cinema vira diletantismo formalista. Dessa forma, a produtora mineira Teia, com um belo trabalho de renovação, ganha um importante prêmio de longa-metragem que a projeta mais ainda para fora dos seus limites. Essa é a melhor consequência desse festival e do resultado do júri oficial.

É pena que o outro concorrente capaz de unir inovação formal e humanidade, Transeunte, tenha sido prejudicado. Tido como um dos favoritos, ganhou apenas os prêmios de ator para o incrível Fernando Bezerra e o de melhor som. Muito pouco para o belo trabalho de Eryk Rocha sobre o cotidiano de um aposentado solitário que, de forma progressiva, se reencontra com a alegria de viver. Por sorte, a premiação da crítica fez justiça ao trabalho de Eryk e deu-lhe o troféu de melhor longa-metragem desta edição. No palco, o ator Fernando Bezerra deu um show de elegância ao receber seu Candango. Dedicou-o a toda a equipe e procurou minimizar a importância do seu trabalho, dividindo-o com os outros. No clima tempestuoso do Cine Brasília, Fernando comportava-se com a serenidade de um velho marinheiro em meio ao naufrágio.

Estéril. Os prêmios que não vieram para Transeunte foram para o mais estéril dos concorrentes, Os Residentes, vencedor dos troféus de atriz (Melissa Dullius), atriz coadjuvante (Simone Sales), fotografia (Aloysio Raulino) e trilha sonora (vários). O engraçado é que, em conversa em off com o Estado, um dos membros do júri encontrou a melhor definição para Os Residentes: "Um filme feito em 1968." Perfeito - Os Residentes seria um filme estimulante se não chegasse com meio século de atraso e não exibisse tanta subserviência em relação às matrizes idealizadas do diretor, Godard, em especial. Bem, ou o jurado mudou de ideia ou foi voto vencido.

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