UM CINEMA DE POESIA, FEITO COM DUPLOS

Cao Guimarães é o cineasta das coisas desaparecidas ou em vias de desaparecer. Seja O Fim do Sem Fim (2001), documentário sobre o fim de ofícios e profissões no Brasil, ou Elvira Loreley Alma de Dragón (2012), relato sobre uma cartomante uruguaia que vive com o celular na mão, seus personagens parecem deslocados num mundo em que não mais se reconhecem. E, quando isso acontece, descobrem no semelhante um espelho distorcido, como Otto (de Otto - Eu Sou Um Outro), que passou sua infância numa fazenda, desenvolvendo uma segunda personalidade, um duplo tão solitário quanto ele. Sua mais recente incursão no mundo do doppelgänger é O Homem das Multidões, sobre um flâneur cujo duplo tem alma de assassino. É sua mais ambiciosa produção (R$ 1,7 milhão). Cao faz o que Pasolini definiu como cinema de poesia, distinto do cinema de prosa, verborrágico. / A.G.F.

O Estado de S.Paulo

27 de março de 2013 | 02h09

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