Um chefe que dá conselhos em vez de broncas

Hector Elizondo, lembrado por papel em 'Uma Linda Mulher', vive empresário bonzinho em 'Last Man Standing'

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2013 | 02h11

Viver cercado de mulheres pode parecer um sonho para os homens, mas é um pesadelo para os personagens masculinos da série Last Man Standing, exibida todos os domingos, às 21 h, no canal pago Comedy Central. Nela, o protagonista Mike (Tim Allen) tem a rotina de trabalho alterada e começa a passar mais tempo em casa, onde as filhas e a mulher dão palpites em tudo e tentam controlar a vida dele.

Os momentos de respiro ficam por conta de seu chefe, Ed Alzate, vivido por Hector Elizondo, que dá conselhos sobre como encarar a situação. O ator diz que ficar rodeado de mulheres não é uma questão complicada. "Na real, eu me sentiria confortável. Acho que meu pai passou por isso e foi muito bem. Eu não teria nenhum problema em viver cercado por elas", diverte-se Elizondo, em entrevista ao Estado por e-mail.

O norte-americano afirma ter conhecido figuras como seu personagem ao longo de seus 76 anos. "A vida costumava ser fácil, mas depois ficou desafiadora em muitos momentos. Eu só tinha 19 anos quando tive de criar meu filho sozinho. Para ser um pai solteiro nessa profissão sempre é preciso ouvir conselhos", filosofa o ator.

Segundo ele, os diálogos da série se parecem com histórias que ele já ouviu. "Ed e Mike são de gerações diferentes, mas o Ed é muita paixão, é uma pessoa que acredita no amor mesmo depois de quatro divórcios. Ele foi para a Guerra do Vietnã e isso mudou a visão que ele tinha do mundo", opina.

Por aqui, Elizondo costuma ser lembrado por seu papel em Uma Linda Mulher (1990), em que, apesar de não ter ficado nem dez minutos em cena, recebeu uma indicação ao Globo de Ouro. No longa de Gary Marshall, ele ajuda Vivian (Julia Roberts) a mudar o visual. Ele reforça que também teve destaque em outras produções. "Também estive na série Necessary Roughness (recentemente exibida pelo A&E)", relembra o artista, que atuou em Amor nos Tempos do Cólera e Grey's Anatomy. Ele revela ter muita vontade de conhecer o Brasil. "É claro. Quem não quer ir ao Brasil? É o país do momento. Gostaria muito de ir porque, ao meu ver, é um dos países mais influentes em termos de mudanças sociais", analisa.

Com quase 50 anos de carreira na televisão e no cinema, ele concorda que o mercado de entretenimento está se concentrando investimentos na telinha. "É uma grande produção, desde a iluminação até a direção. Na série, por exemplo, há muitos valores envolvidos. Acho ótimo fazer parte disso tudo. Na TV, às vezes, você pode ter mais aventuras", avalia.

De acordo com Elizondo, dar expediente em uma emissora faz diferença no dia a dia, em comparação com um longa. "Para mim, a localização é algo importante. E a localização do estúdio é ótima, você não precisa viajar por uma longa distância, como no cinema. Ainda dá para esticar as pernas e ir andando até o estúdio (na Califórnia, onde mora). O atores adoram trabalhar lá", conta. Ele porém, garante não ver uma redução de convites para rodar filmes. "Acho que ainda é um grande mercado para os atores."

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