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Um carnaval de imagens

Fotógrafa franco-espanhola publica livro com 13 anos de pesquisa sobre o carnaval brasileiro

Marcelo Hargreaves, Estadão.com.br

25 de novembro de 2010 | 16h24

O Brasil apaixonou a fotógrafa Catherine Krulik, nascida em Paris e que morou boa parte da vida na Espanha. Formou-se em Londres, onde teve contato com a comunidade brasileira e aprendeu português. Três anos depois de sua primeira visita, decidiu morar no País. Em 1995, foi conhecer Ouro Preto, por coincidência, durante o carnaval. Este contato foi a raiz de um trabalho de pesquisa de 13 anos que virou o livro Carnavais do Brasil, que tem lançamento nesta quinta, na Livraria da Vila dos Jardins, em São Paulo.

O livro traz uma seleção de 150 fotos de Catherine com textos da jornalista Marli Gonçalves e, que foi traduzido para inglês e francês. A seleção das imagens coube a também fotógrafa e designer gráfica Maristela Colucci. Ela tinha à disposição um universo de cerca de 8 mil imagens. Segundo Catherine, havia 240 imagens separadas para o trabalho, mas foi necessário reduzir ainda mais este número por causa do texto que as contextualiza.

mais imagens Veja galeria com imagens do livro

A fotógrafa apresenta imagens tanto do carnaval de rua, como das manifestações mais organizadas em Recife/Olinda, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, São Luís. Ao contrário de boa parte dos trabalhos a respeito do carnaval, Catherine escolheu ir a fundo, visitar desde os eventos mais famosos até manifestações culturais de raiz popular, sem o glamour, mas com originalidade, como os maracatus da Zona da Mata de Pernambuco. "Vi gente muito humilde que se dedica com muita dedicação a produzir as roupas para o desfile, uma experiência muito forte", disse.

Na opinião dela, o carnaval de rua pernambucano é o mais "autêntico". O de São Luís se parece bastante, embora de menor proporção. Ela confessa que, no folclore maranhense o que mais a chamou atenção foi a festa do boi, realizada na cidade no meio do ano. O ultimo que ela conheceu foi o da cidade em que mora, São Paulo. Apesar de ter ido à avenida, o que mais a chamou atenção foi o carnabike, que é um bloco de rua.

Catherine contou que sua experiência mais forte foi em Salvador. 'Cheguei lá quase um mês antes para preparar tudo', lembra. O que mais a impressionou foram os desfiles dos blocos afros como o Filhos de Gandhi, Filhas de Oxum, entre outros. Quanto aos trios elétricos, o volume de gente a deixou assustada. "Era tanta gente que tive de andar com seguranças", observa.

Apesar do apreço que ela desenvolveu pelas manifestações espontâneas, ela não desmerece o tipo de carnaval que se associou ao Brasil. "Quando via pela TV, não me chamava atenção, mas quando fui a primeira vez à avenida, no Rio, em 1998, fiquei encantada com aquele trabalho, que é, sem dúvida, o maior espetáculo da terra", lembra a fotógrafa. Com as fotos que fez naquele carnaval, ela foi à França e ganhou o Euro Press Award.

"Quando ouço europeus dizendo que acham os brasileiros preguiçosos, respondo que gostaria de ver cada um deles ter capacidade para organizar um desfile de escola de samba",diverte-se Catherine.Agora sem a obrigação de fotografar, ela planeja desfilar em uma escola no carnaval de 2011. A franco-espanhola fotógrafa já é tão brasileira que confessou: "Torço pela Mangueira."

SERVIÇO:

Lançamento do livro Carnavais do Brasil - Sessão de autógrafos com a fotógrafa Catherine Krulik

Quando: Nesta quinta, 25/11

Onde: Livraria da Vila - Lorena

Horário: das 19h às 22h

Endereço: Alameda Lorena, 1731

Tel.: (11) 3062-1063

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