Um brasileiro na equipe de efeitos especiais

Sandro Di Segni participou do filme 'Homem de Aço'

FLAVIA GUERRA , O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2013 | 02h12

Quem vê as cenas magistrais de destruição de Homem de Aço não imagina que, para cada frame criado por computação gráfica, é necessário muito cálculo, física e até mesmo uso das impopulares matrizes e determinantes. "Um dos meus planos é explicar para as pessoas, adolescentes principalmente, para que a gente usa matrizes e vetores no 'mundo real'", diz o diretor técnico de efeitos especiais Sandro Di Segni, em conversa por telefone com o Estado, de Londres, onde vive.

Brasileiro, de 36 anos, ele vive há 15 no exterior, e tem no currículo a criação de 'mundos reais', ou quase, em longas como Homem de Aço, e o ainda inédito Thor - O Mundo Sombrio.

Em Homem de Aço, usou, além de talento, muitos cálculos e matrizes para criar as cenas de destruição de Metrópoles. "Foi muito interessante pensar em como construir as sequências que seriam, a priori, inacreditáveis, e torná-las plausíveis", conta ele, que integra a equipe da Double Negative, vencedora do Oscar de efeitos especiais em 2010 por A Origem, um dos maiores estúdios do mundo, responsável, entre outros, por Thor, Homem de Aço, John Carter - Entre Dois Mundos, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge e seis dos filmes de Harry Potter. "Aprendi e usei de muita ciência nestes filmes. Para Homem de Aço, imagine que é complicado pensar em sistemas de forças de uma gravidade que não existe nos padrões reais. Calcular que força faria os objetos se moverem, com massas diferentes, sob uma mesma força gravitacional, é um desafio e tanto", comenta ele, que sempre foi apaixonado por videogames e computadores, mas que descobriu os efeitos especiais quando assistiu a Jurassic Park - O Parque dos Dinossauros (1993). " Este filme é tão incrível que até hoje é caso raro de efeitos que não envelhecem", diz.

Depois de tentar se aproximar do mundo dos efeitos ao estudar publicidade e computação, percebeu que o caminho no exterior o deixaria mais próximo do cinema. Foi estudar no Canadá, onde frequentou a Vancouver Film School (VFS) e acabou trabalhando em projetos para a TV como Spider-Man e Transformers.

É sua vasta experiência que Sandro quer agora aplicar no Brasil. "Estou voltando para o País em boa hora. O Brasil está em fase de expansão, mas ainda há muito o que se fazer no mercado de efeitos visuais. Acho que posso contribuir muito", diz ele, que, além de tocar projetos, quer também dar aulas. Para Sandro, mais difícil que transmitir a técnica é treinar o olhar do bom profissional. "É uma das coisas mais difíceis de se ensinar e aprender. O olho de quem vai analisar um trabalho, saber que está bom e dizer: 'pode mandar para o cliente'. Este sim é o maior desafio."

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