Um bom motivo para reverenciar artistas hermanos

Crítica: Emanuel Bomfim

O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2013 | 02h09

JJJJ ÓTIMO

JJJJ ÓTIMO

Ora, se é reconhecida a excelência de tantos artistas latinos, por que erguemos esse muro às produções de fala hispânica? Somos capazes de babar por qualquer moleque ou banda indie de origem britânica ou norte-americana, mas raramente gastamos tempo e espaço no iPod com os "vizinhos". Qual é o problema com Natalia Lafourcade, Kevin Johansen, Ana Tijoux, Calle 13, Monsieur Periné, Aterciopelados, Javiera Mena, Bomba Estéreo, Chico Trujillo e Los Fabulosos Cadillacs?

Recentemente, um corajoso festival - Telefônica Sonidos - tentou abrir os ouvidos brasileiros para a turma do espanhol. Tragédia anunciada: com receio do esvaziamento, a curadoria enxertou representantes do pop nacional nas apresentações dos latinos. A própria Julieta Venegas sentiu o drama de ver Marisa Monte "roubar" seu show com apenas três músicas. Seria preconceito? Nem os departamentos de marketing das gravadoras sabem explicar tamanha indiferença.

Julieta mudou e também podemos mudar. Los Momentos é uma ótima desculpa para descobrir um pop sofisticado que emerge na mente de uma das artistas mais criativas do México. A conexão com o Brasil é muito breve, com as cordas de Jaques Morelenbaum na obscura Por Qué?. Nada que tire a atenção como já fez Marisa: o convite é para desfrutar de um lirismo melancólico e arrebatador que se apropria de sintetizadores nostálgicos. A pulsante Te Vi poderia facilmente tocar em qualquer FM.

Eletrônica e pop, Julieta Venegas se transforma a partir de artistas que fizeram sua cabeça quando adolescente. Suzanne Vega deveria se sentir orgulhosa do belo fruto que ajudou a cultivar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.