Um best-seller sem uma fórmula de sucesso

O francês Marc Levy está no Rio para lançar novo livro

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2011 | 00h00

Em apenas uma década, Marc Levy se tornou o romancista francês mais lido no mundo. De E Se Fosse Verdade, levado com sucesso para o cinema, a The Strange Journey of Mister Daldry, que saiu na França há cinco meses, foram mais de 23,5 milhões de livros vendidos, em 42 idiomas. Aqui, está sendo lançado Tudo Aquilo Que Nunca Foi Dito (Suma de Letras), que ele vem divulgar no último dia da Bienal do Livro do Rio, domingo.

Levy vai dividir o Café Literário com o best-seller norte-americano Scott Turow, com quem falará sobre adaptações para o cinema. Em 2005, Levy já tinha estado na Bienal. À época, acabara de desbancar Dan Brown e seu O Código da Vinci do topo das listas de seu país.

Agora, às vésperas do aniversário de 50 anos, o autor, que dedica sete semanas no ano a viagens como esta, chega com ainda mais cartaz. Jura que continua tendo inseguranças pré-lançamento, ainda que já tenha percorrido 30 países e encontrado centenas de fãs de livro e máquina fotográfica na mão.

"Quando você me lembra que sou o mais vendido, fico feliz, mas não acordo nem vou dormir pensando nisso", dizia Levy às vésperas de vir. "Se eu tivesse descoberto a vacina contra a aids, seria diferente. É muito abstrato, especialmente vivendo tão longe de casa. Eu tenho uma vida muito normal, ando de metrô tanto em Nova York, onde moro, quanto quando estou em Paris."

Ex-ativista da Cruz Vermelha, ele foi para os Estados Unidos em 1983, já formado em administração e informática na universidade Paris-Dauphine. Na Califórnia, criou uma empresa de computação gráfica. Sete anos depois, deixou a empresa e recomeçou do zero. Voltou para casa e fundou uma outra, de design, muito bem-sucedida. Aos 37 anos, sem nenhum histórico em literatura - "aos 18 anos escrevi alguma coisa, mas deixei no lixo, felizmente, porque era horrível" -, começou a rascunhar tendo como interlocutor o filho, à época uma criança. Foi a irmã, roteirista de cinema, que viu potencial na sua história. Já era E Se Fosse Verdade, que em 2005 viraria blockbuster, com produção de Steven Spielberg e Reese Witherspoon e Mark Ruffalo nos papéis principais. "É surpreendente até hoje. A literatura me permitiu algo que é um presente, que é trabalhar em casa, ver meu filho crescer. Hoje ele tem 21 anos e é um grande leitor."

Tudo Aquilo Que Nunca Foi Dito fala justamente da relação pai e filha. Depois de uma vida de ausência, Julia fica sabendo que o pai não poderá nem menos estar em seu casamento: ele morreu. Ela então cancela a festa para enterrá-lo. Mas tudo vai mudar quando a moça encontrar o presente surpreendente que ele lhe deixara.

O sucesso de Levy trouxe também as críticas - por aqui, já foi chamado de "Paulo Coelho da França". Ele desdenha quando o acusam de ter achado uma "fórmula". "Se isso existisse, só haveria best-sellers no mundo."

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