Um Belo exemplo de 'cinema sensível'

Luiz Carlos Merten / CANCÚN, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

Com Javier. Ele surge na terceira parte, no papel de brasileiro      

 

 

 

 

 

 

Como Julia Roberts, milhões de pessoas em todo o mundo transformaram o livro de Elizabeth Gilbert num fenômeno editorial que não cessa de surpreender. O filme renovou o interesse pelo livro e ele voltou a vender feito água. Só na lista de mais vendidos do The New York Times foram 180 semanas. O diretor Ryan Murphy, estreando no cinema após a bem sucedida experiência da série Glee (de TV), tem uma explicação simples para o sucesso.

 

 

Em Cancún, ele disse ao repórter do Estado que o livro de Liz fala com simplicidade de coisas complexas. "Vivemos num mundo competitivo em que as pessoas não têm muito tempo para elas. Liz não deixa de oferecer sua receita - alimento para o corpo, para alma e o amor como a experiência definitiva. Muitas vezes exageramos na busca do prazer sexual. Existe uma coisa chamada afeto da qual temos necessidade, quem não?"

 

No começo de Comer, Rezar, Amar - nos anos 1980, houve Comer, Beber, Viver, de Ang Lee -, a personagem de Julia, a própria Liz Gilbert, que se baseou em experiências pessoais, está infeliz no casamento e no trabalho. Ela até hoje pensa se sua vida teria sido diferente, se não fosse um incidente aparentemente banal no dia do próprio casamento. Separar-se do marido é o primeiro movimento para o (re)encontro interior, mas outro namorado, um artista, de comportamento mais libertário, não traz a satisfação desejada. A solução é partir.

 

Bossa nova. No começo dos anos 1960, asfixiada na puritana "América", a professora Suzanne Pleshette foi à Itália, "onde os homens sabem amar" (ela acredita). O filme Candelabro Italiano, de Delmer Daves, virou cult. Talvez Comer, Rezar, Amar venha a ser o Candelabro desta geração. A primeira etapa da viagem, a Itália, satisfaz o apetite da gula. Na Índia, Liz/Julia volta-se para o interior, por meio da oração. Na Indonésia, conhece o "brasileiro" Javier Bardem e redescobre seu eixo embalada na bossa nova. Não espere uma obra-prima - que o livro também não é -, mas uma experiência humana que vale compartilhar. As mulheres, em especial vão amar se identificar com Julia. Eat Pray Love reinventa o "woman's picture".

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