Um autor do tempo

Sai em DVD o clássico 'O Emprego', de Ermanno Olmi, que conversa com o 'Estado'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2013 | 02h16

Existe, no cinema de Ermanno Olmi, uma contenção próxima da desesperança. Seus personagens parecem prisioneiros de um tempo que os afixia. Chama-se, por sinal, Il Tempo Si è Fermato, O Tempo Parou, o primeiro longa do diretor, de 1959, sobre a amizade entre um jovem e um velho, durante a construção de uma represa. Vieram depois Il Posto, em 1961, e I Fidanzati, 1963. Compõem o que não deixa de ser uma trilogia.

Nenhum deles teve lançamento comercial no Brasil e somente agora o Instituto Moreira Salles, por meio de seu selo de cinema, resgata, 52 anos depois, o primeiro. Numa entrevista por telefoine, de Bérgamo, cidade em que nasceu - em 24 de julho de 1931 - e vive até hoje, Olmi alegra-se. Embora tenha recebido dois dos maiores troféus de cinema do mundo - a Palma de Ouro por A Árvore dos Tamancos, em 1978, e o Leão de Ouro por A Lenda do Santo Beberrão, dez anos mais tarde -, ele guarda especial carinho pelo prêmio que a crítica lhe outorgou em Veneza por Il Posto.

Era um jovem cineasta de 30 anos, e o prêmio lhe garantiu instantâneo prestígio numa época de renovação do cinema italiano, quando novos talentos se impunham (Francesco Rosi, Pier-Paolo Pasolini) e os grandes da geração anterior estavam no auge (Luchino Visconti, Federico Fellini, Michelangelo Antonioni). Mais que tudo, Olmi guarda na lembrança o elogio de uma espectadora anônima, no Lido: "Sou funcionária e sei o que digo. Você me retratou na tela".

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