A.C Junior/Divulgação
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Um ator em todas as mídias

Du Moscovis tem outro filme pronto, vai fazer minissérie e trazer peça a SP

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2011 | 00h00

Teatro, cinema e televisão. Du Moscovis é o homem de todas as mídias. Na TV, participou de novelas e especiais de sucesso. No cinema, nenhum blockbuster. "Não busco papéis pensando no sucesso que podem me trazer. Não é por aí. Quero alguma coisa que me acrescente." O teatro foi muito importante no processo de descoberta e (re)conhecimento pessoal e profissional. Uma montagem imediatamente vem à tona. A de Corte Seco, direção de Christiane Jathay.

O espetáculo aposta numa linguagem de ruptura. A diretora corta as cenas ao vivo, inverte a cronologia, faz com que seu elenco improvise no palco. Essa desconstrução artística e profissional vem sendo perseguida por ele na vida, como já disse na capa. A imagem de galã não o incomoda, "é legal", mas se fica pejorativa Du Moscovis parte para a desconstrução da própria imagem. A relação com a Globo é flexível. Ele participa de projetos, e agora vai fazer a minissérie Louco por Elas, de João Falcão, mas não se prende a contrato para poder fazer "suas outras coisas".

Como o filme de seu xará Eduardo Vaisman. Em 180°, ele faz jornalista que se envolve num triângulo amoroso, mas o suspense não vem tanto das relações de afeto e de sexo como de uma particularidade da trama - o personagem encontra uma caderneta de anotações que pode ser do atual namorado de sua ex e com ela escreve um livro. A questão envolve acusações de plágio. A ética entra em discussão. Du Moscovis destaca a construção não linear, que permite ao espectador ir montando o filme na própria cabeça. Pode não ser exatamente a mesma cousa, mas tem algo a ver com as rupturas de Corte Seco, no teatro.

"Quando começamos a conversar sobre 180º, ficou claro para todos que o foco não estaria no experimentalismo da linguagem, mas nos personagens. Eles são muito ricos, ninguém está ali de uma maneira estática, representando bem ou mal. As interações é que fazem a riqueza do drama, foi bacana de fazer e o público está percebendo isso. Tivemos ótimas críticas na França e nos EUA, onde 180° venceu o Festival do Cinema Brasileiro de Miami."

Du tem outro filme pronto para estreia imediata, mas Corações Sujos, de Vicente Amorim, adaptado do livro de Fernando Morais, ainda deve passar antes pelo Festival do Rio, em outubro. "Foi outra experiência muito interessante, porque o filme trata da cultura japonesa no Brasil e eu faço esse delegado que vai parar no meio de uma colônia de japoneses que se recusa a aceitar a derrota do Japão na 2.ª Grande Guerra. Os corações sujos eram aqueles que aceitavam a derrota e precisavam ser eliminados."

Embora importante, o papel não é principal. "Essa coisa de querer só ser o protagonista não tem nada a ver. Como ator conto histórias e o papel menor pode ser tão bom quanto o do protagonista. Foi muito interessante conviver com atores importados do Japão. Eles vêm de outra cultura, possuem outra disciplina, mas no limite todo mundo fazia cinema com a mesma paixão." Corações Sujos foi ovacionado no Festival de Montreal. Todos esses sucessos no exterior vão repercutir no Brasil?

"A gente espera que sim, mas de, qualquer maneira, não sou afobado. Estou gostando muito do que ando fazendo." Ele apresentou, há pouco, Corte Seco em Brasília. "A gente ainda tem um projeto de itinerância da peça, que não acabou, mas que acho que será interrompido, até por falta de condições, ou de tempo. Estou trazendo O Menino Que Vendia Palavras para São Paulo, quero fazer O Livro aqui, a minissérie do João (Falcão) está pintando. Tudo isso é bacana. É muito trabalho, mas é prazeroso."

180°

Direção: Eduardo Vaisman.

Gênero: Drama (Brasil/ 2010, 90 minutos). Censura: 14 anos.

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