Um assalto que fez história no cinema

Às 18h25, você pode sintonizar no Canal Brasil para assistir a um clássico. Assalto ao Trem Pagador, de Roberto Farias, até hoje não perdeu sua força como relato policial vigoroso. Grande sucesso de público, na época - 1962 -, o filme foi integrado ao então nascente Cinema Novo, embora Farias não pertencesse ao grupo dos cinenovistas.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

Nem ele nem Anselmo Duarte que, no mesmo ano, ganhou a Palma de Ouro em Cannes com O Pagador de Promessas. Duarte e Farias vinham do cinema antigo, das chanchadas da Atlântida (e Duarte passara também pela Vera Cruz). O espectador que assiste hoje a estes filmes talvez até ache graça, mas há 48 anos havia críticos que diziam que a língua portuguesa não se prestava ao cinema. Diziam que os diálogos eram falsos. Filmes como esses inventaram (impuseram?) uma forma de brasileiro falar com realismo na tela.

Assalto baseia-se num roubo de verdade, que marcou a crônica policial da época. Grupo assalta o trem pagador da Central do Brasil. O bando é liderado por Tião Medonho. O ator que faz o papel, Eliezer Gomes, foi escolhido em concurso. É poderoso em cena. A sabedoria de Roberto Farias, que também escreveu o roteiro, consistiu em tornar essa história mais complexa. Para isso ele cria, dentro do grupo, a oposição entre Tião Medonho e Grilo, o organizador do assalto. Grilo, interpretado pelo irmão do diretor, Reginaldo Faria, representa a visão do asfalto. É o esperto que quer se dar bem e precisa da experiência e da violência de Tião. O outro traz a visão do morro.

Tião Medonho tem duas mulheres. A "esposa", criada pela sofredora Ruth de Souza, e a outra, tão bela que, para Luiza Maranhão, a imprensa criou a definição de "Sophia Loren negra". Quase meio século depois, Assalto ao Trem Pagador ainda oferece uma bela demonstração de virtuosismo narrativo do diretor. Compõe uma trilogia com outros dois filmes - Cidade Ameaçada e Selva Trágica. O último é a obra-prima do cineasta.

Dennis, o Pimentinha Ataca

Novamente

14H15 NO SBT

(Dennis The Menace Strikes Again!). EUA, 1998. Direção de Charles T Kanganis, com Don Rickles , George Kennedy, Justin Cooper, Brian Doyle-Murray.

O primeiro filme da série adaptada das tiras de Hank Ketcham tinha certa graça, embora o diretor Nick Castle parecesse seguir a trilha de Esqueceram de Mim. Esta sequência foi feita diretamente para DVD e mostra o capetinha Dennis de novo infernizando a vida do vizinho, o sr. Wilson. George Kennedy substitui Walter Matthau no papel e, embora seja bom ator - recebeu o Oscar de coadjuvante por Rebeldia Indomável, com Paul Newman -, Matthau é insuperável como velho rabugento. Na trama, dupla de trapaceiros tenta enganar o sr. Wilson, vendendo-lhe a fórmula da eterna juventude, mas Dennis está a postos - só quem pode se aproveitar do vizinho é ele. Reprise, colorido, 74 min.

Jump" in!

15H50 NA GLOBO

(Jump In!). EUA, 2007. Direção de Paul Hoen, com Corbin Bleu, Keke Palmer, David Reivers, Shanica Knowles, Laivan Greene, Kylee Russell, Patrick Johnson Jr.

Corbin Bleu, de High School Musical, é um adolescente do Brooklyn que tenta realizar o sonho do pai, virando campeão de boxe. Mas ao ajudar uma colega, que necessita de um quarto integrante na sua banda, ele descobre que sua verdadeira vocação é a música. E agora? Produção da Disney, formatada para o público teen. Reprise, colorido, 85 min.

Armações do Amor

22H40 NA GLOBO

(Failure to Launch). EUA, 2006. Direção de Tom Dey, com Matthew McConaughey, Sarah Jessica Parker, Zooey Deschanel, Justin Bartha, Kathy Bates, Bradley Cooper.

Matthew McConaughey faz trintão encalhado em casa. Os pais preocupam-se e contratam Sarah Jessica Parker para seduzir o filho e tentar encaminhá-lo na vida. Ela se apaixona de verdade - alguma dúvida? -, mas ele descobre a armação e a crise está formada. O elenco é tão simpático que quase consegue fazer o espectador esquecer quão tolo é o ponto de partida desta comédia. Embora Sarah Jessica, de Sex in the City, seja a estrela, repare como Zooey Dechanel já roubava a cena, anos antes de 500 Dias com Ela. Reprise, colorido, 97 mim.

Sonhos e Desejos

2H30 NA GLOBO

Brasil, 2006. Direção de Marcelo Santiago, com Mel Lisboa, Felipe Camargo, Sérgio Marone, Ricardo Pereira, Rômulo Braga, Paulo Marcio Arapuan.

Mel Lisboa recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Gramado, mas foi certamente um exagero do júri. Não que a garota seja péssima, mas o filme é atroz e não lhe oferece a chance de uma "criação". Mel vive uma intensa ligação com seu professor de literatura. A época é a da ditadura e ambos sonham em participar da luta armada. Ela recebe uma missão - cuidar de um guerrilheiro ferido. O cara, para preservar sua identidade, vive encapuzado. Forma-se um triângulo amoroso. Sérgio Marone, que tapa a cara e mostra o resto, está na peça... Reprise, colorido, 93 min.

Ao Cair da Noite

4H05 NA REDE BRASIL

(Les Bijoutiers du Clair de Lune). França, Itália, 1958. Direção de Roger Vadim, com Brigitte Bardot, Alida Valli, Stephen Boyd, Fernando Rey, Pepe Nieto.

Depois de lançar o mito BB em E Deus Criou a Mulher, de 1956, Roger Vadim continuou fazendo filmes formatados para o erotismo da estrela. Mas eles foram ficando cada vez piores, apesar de certo refinamento plástico. Como este, em que Brigitte sai do convento e é envolvida nos rituais bizarros dos tios. Stephen Boyd é chamado a integrar o grupo, mata e tio e foge com Brigitte para as montanhas. Tudo se passa na Espanha, sob o franquismo. Embora seja considerado pioneiro da nouvelle vague, Vadim foi expelido do movimento por sua ligação com o cinema comercial. Não deixa de ser um programa curioso, saenão bom. Reprise, colorido, 91 min.

Amanhã

A Globo exibe amanhã, no Intercine, o preferido do público entre dois filmes que carregam no sex- - Jade, de William Friedkin, com David Caruso, Linda Fiorentino, Chazz Palminteri, Michael Biehn e Richard Crenna, variação de Instinto Selvagem, sobre criminalista que investiga assassinato brutal e desconfia de que sua ex-amada esteja envolvida no caso (EUA, 1995, fone 0800-70-9011); e O Trem de Zhou Yu, de Sun Zhou,com Gong Li, Tony Leung e Honglei Sun, sobre professor que se envolve com pintora de porcelanas em outra cidade e vive tomando o trem do título; o filme fez sensação na China por sua narrativa não linear e, principalmente, pelo erotismo (2002, fone 0800-70-9012).

TV Paga

Nossa Vida com Papai

22 H NO TCM

(Life with Father). EUA, 1947. Direção de Michael Curtiz, com William Powell, Irene Dunne, Elizabeth Taylor, Edmund Gwenn, Zasu Pitts, Martin Milner.

Wiliam Powell virou uma espécie de "pai" oficial em Hollywood, formando dupla com Myrna Loy ou Irene Dunne. Aqui, ele faz pai excêntrico mas afetuoso e o filme se baseia nas memórias de Clarence Day. O livro sobre como foi crescer na virada do século 19 para o 20, em Nova York, no seio de uma família numerosa (e de posses), deu origem a um espetáculo que ficou anos em cartaz na Broadway. O filme, propriamente dito, foi adaptado da Broadway, e não diretamente do livre. É muito bem feito e interpretado, e a garota Liz Taylor é colírio para os olhos. O diretor Curtiz (nascido Mihaly Kertesz, na Hungria) foi um dos fundadores do cinema húngaro e, em Hollywood, virou sinônimo de profissionalismo e sucesso. Ele não se inscreve no conceito de "autor", mas possui mais clássicos em diferentes gêneros que qualquer outro diretor. Só para lembrar alguns - Casablanca, As Aventuras de Robin Hood, Capitão Blood etc. Reprise, colorido, 118 min.

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