Marcos Hermes
Marcos Hermes

Um ano de shows em casa

Sem a possibilidade de realizar espetáculos presenciais, Sesc colocou à disposição 587 lives desde abril de 2020

Danilo Casaletti, Especial para o Estadão

19 de março de 2021 | 08h00

No começo de março, o Sesc São Paulo estreou a segunda temporada do projeto #EmCasaComSesc, que, desde abril de 2020, apresenta espetáculos de música, dança, teatro e atividades esportivas online como alternativa da paralisação das atividades presenciais motivadas pela pandemia do novo coronavírus.

O plano para esse segundo ano era de que algumas apresentações voltassem a ser feitas em palcos e espaços das unidades, ainda que sem a presença do público. Porém, com o endurecimento das restrições das atividades, essa ideia está suspensa pelo menos até o fim de março. As unidades permanecerão fechadas. Mas as atividades online continuarão, sobretudo após os números positivos do ano passado.

De acordo com dados fornecidos pelo Sesc, de abril a dezembro de 2020, o #EmCasaComSesc realizou um total de 587 lives, sendo 410 delas espetáculos de música, teatro, dança e apresentações para crianças; 153 palestras e debates do Sesc Ideia; e 24 de atividades esportivas. As apresentações atingiram um total de 13,5 milhões de visualizações e continuam disponíveis nas redes e canais digitais do Sesc.

Entre os músicos e cantores que participaram – muitos deles em lives caseiras – estão artistas como Adriana Calcanhoto, que liderou a audiência (veja o ranking completo abaixo), João Bosco, Elza Soares, Zeca Baleiro, Erasmo Carlos, Tom Zé, Marcos Valle e Otto. Entre os atores que participaram de performances teatrais, estão Caco Ciocler, Chico Díaz, Denise Fraga e Walderez de Barros.

 

Danilo Miranda, diretor do Sesc São Paulo, diz que, apesar do sucesso alcançado com o projeto, para uma instituição que lida com o atendimento às pessoas e a difusão de cultura, a paralisação de atividades presenciais, desde o ano passado, significa um estremecimento profundo em sua essência.

“Nosso método de ação foi atingido. Esperávamos algo de 15 dias, um mês, e já estamos há um ano, com previsão de se estender mais alguns meses. Tivemos que lidar com a imprevisibilidade. Depois do abalo, veio a reinvenção, que nos fez aperfeiçoar o uso da tecnologia, tanto para o trabalho de nossas equipes quanto para a nossa programação virtual em diversas linguagens. Aprendemos muito”, diz. “Que fique claro: estamos fazendo desse jeito, pois não podemos fazer de outro. Ainda estamos descobrindo caminhos e ampliando-os”, completa.

Lives teatrais

Um dos ajustes, além da migração das apresentações musicais caseiras para os palcos do Sesc, se deu na programação teatral, com conteúdos adaptados ou pensados para uma live. Em entrevista ao Estadão em dezembro de 2020, o ator Caco Ciocler descreveu como “angustiante” a apresentação que fez do monólogo Medusa, com direção de Monique Gardenberg, direto do banheiro de sua casa. “O teatro não aconteceu”, disse à época.

Ainda segundo os dados do Sesc, no ano passado, 12% da audiência do projeto #EmCasaComSesc estava no exterior, em países como Estados Unidos (42,5 mil visualizações), Portugal (40 mil), Argentina (19 mil), Espanha (11,6 mil), França (11 mil), Itália (10,5 mil) e Japão (10,1 mil). Isso sinaliza que, assim que a entidade voltar com os espetáculos com a presença de público, um dos caminhos seria transformá-los em algo híbrido, com transmissão também via internet.

“Sim, é um caminho. Porém, não imagino, por exemplo, transmitir uma peça de teatro ao vivo. Não acho a linguagem apropriada. Não é algo viável apenas colocar uma câmera na frente do palco para transmitir uma peça. Em shows, também precisa ser algo não muito invasivo, sem muita interferência para quem está assistindo ao vivo no teatro. Quem vai ver um espetáculo não quer gruas e carrinhos na frente do palco”, diz Miranda.

Além de lidar com as adaptações em sua programação, o Sesc também enfrentou queda de arrecadação nos meses de abril, maio e junho de 2020 em decorrência da redução das contribuições recolhidas pelas empresas para financiar o Sistema S, por meio de medida provisória editada pelo governo federal como uma das maneiras para enfrentar os impactos da pandemia na economia. Segundo Miranda, o corte de 50% foi “grave”, mas a instituição conseguiu se reequilibrar.

Miranda não dá qualquer previsão para que voltem as atividades presenciais – sobretudo os shows, um dos carros-chefes do Sesc São Paulo. A única certeza que ele tem é que a instituição será diferente no fim da pandemia.

“Seremos outro Sesc, ou melhor, outra sociedade. Estamos aproveitando o momento para fazer uma reflexão geral sobre como atingimos nossos objetivos como instituição. Colocamos na mesa muitas questões durante esse período. Entre elas, o racismo estrutural, a questão LGBTQIA+ e as dos cadeirantes. Além das atividades de música, dança, teatro e outras manifestações que promovemos, estamos discutindo internamente formas de ampliarmos o espaço de debate. Há ainda o desafio sobre como nossas unidades vão receber uma sociedade pós-pandemia. O social terá que prevalecer sobre o individual. A nossa sociedade precisará ser mais solidária”, diz.

As lives de maiores audiências do projeto #EmCasaComSesc (em números totais)

Adriana Calcanhotto -288 mil

Toquinho -257 mil

Pato Fu - 185 mil

João Bosco - 173 mil

Geraldo Azevedo - 160 mil

Elba Ramalho -125 mil

Zeca Baleiro - 124 mil

Elza Soares - 119 mil

Zélia Duncan - 113 mil

Fafá de Belém - 101 mil

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.