Tiago Queiroz/Estadão
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Um amor para sempre

Viúva fala da união com Kubrick e da entrega do autor à arte

Luiz Carlos Merten,

19 de outubro de 2013 | 19h37

Seu objetivo sempre foi ser pintora e, para pagar as contas, a jovem Christiane iniciou uma carreira de atriz, nos anos 1950. Fazia, em Viena, uma montagem de As Três Irmãs. Stanley Kubrick, que precisava de uma atriz para cantar na cena final de Glória Feita de Sangue, contratou um agente local, que lhe indicou a montagem de Chekhov, pensando numa atriz (que não Christiane) como a ideal. Kubrick foi ver. Encantou-se com ela. "Contratou uma atriz e ganhou uma mulher. Para toda a vida.", resume Christiane.

Christiane Kubrick e o irmão, Jan Harlan, estiveram em São Paulo para a abertura da Mostra, que este ano exibe uma retrospectiva do grande diretor. Christiane forneceu a aquarela - Kubrick retratado durante a filmagem de Barry Lyndon - que virou a vinheta da 37.ª edição. "Ficou muito bonita", ela diz. "Renata (Almeida) é muito dinâmica. Sabe fazer as coisas acontecerem", acrescenta Harlan.

Viveram juntos, Christiane e seu Stanley, até a morte dele, em 1999. Foram mais de 40 anos. Desde então, o irmão e ela dedicam-se a manter viva a chama de Kubrick. Agora mesmo, há uma exposição em São Paulo - na Mostra -, e os filmes estão sendo sempre polidos e restaurados, para novos lançamentos. "Tudo isso sai caro, mas a obra de Kubrick continua atraindo o público. Para a indústria do cinema, ainda vale a pena investir nele. Kubrick é rentável."

A viúva conta que Kubrick não admitia interferências do estúdio, mas se empenhava em fazer filmes atraentes para o público. "Ele ficava orgulhoso com as boas rendas. Sabia que iam tranquilizar os executivos e ele poderia continuar trabalhando como gostava." Como foi viver tanto tempo com um gênio? "Stanley minimizava a questão. Dizia que era 10% de talento e 90% de trabalho." Não mais na entrevista, realizada num hotel da Paulista, mas na apresentação da vinheta, quinta-feira à noite na abertura da Mostra, ela contou uma história de Barry Lyndon. "Ele se feriu e sangrou, por causa de um espinho. Dizia que colocou seu sangue naquele filme."

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