Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Um adeus comportado

Amy deixa o País com um show morno, e que teve o som demasiado baixo para a maior parte do público, de cerca de 30 mil pessoas

Jotabê Medeiros e Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2011 | 00h00

Amy conseguiu: concluiu uma maratona de 5 shows em pouco mais de uma semana, cantando para cerca de 85 mil pessoas no Brasil.

Amy conseguiu: deixa o País ainda como um mistério, dividindo as opiniões - seus seguidores a idolatram ainda mais, seus detratores insistem que ela é apenas uma enganadora estilosa, uma espécie de João Canabrava do show biz.

O último show foi em São Paulo, no Anhembi, na noite de sábado, para um público estimado em 30 mil pessoas. Esperava-se chuva, que não veio, foi uma noite até bem agradável. Antes do início do show, havia uma farta oferta de ingressos pelos cambistas para a pista (custavam cerca de R$ 180, e originalmente eram vendidos por R$ 100).

No Anhembi, do meio para trás, onde se concentrava a maior parte do público, o som era baixo demais, mal se ouvia a voz de Amy. "Tava tão baixo que tinha gente que me pedia silêncio", ironizou uma fã. Caixas de som insuficientes para amplificar a música, somado a uma área VIP invasiva, bem maior que o normal, e eis uma noite imperfeita.

O telão falhou algumas vezes, especialmente em I Heard Love Is Blind, e acabou a cerveja, a CET não agia para impedir as aglomerações de carros - teve gente que levou mais de uma hora para sair. "Faz que nem a Amy: enche a cara que o som fica bom", ironizou Bruno Dias, no twitter. "Tá muito baixo de volume", disse o músico André Abujamra. Claro que haverá muita gente da área VIP que terá achado o som impecável, pela proximidade.

Amy entrou às 23h37, com Just Friends, e saiu às 0h49, com Love Is a Losing Game e Me and Mr. Jones, sem passar pelos camarins - entrou direto numa van que a esperava na pista do Sambódromo, cercada de batedores. Tomando sempre algo de uma canequinha ao pé do palco (presumivelmente chá de gengibre), mudou o repertório que anunciou que faria. Surpreendeu o público ao voltar para o bis, quando todo mundo já dava a fatura por encerrada - incluindo VIPs como a atriz Debora Secco e seu namorado, o jogador de futebol Roger, a cantora Marina Lima, o casal John e Fernanda Takai (do Pato Fu) e a apresentadora Marília Gabriela.

O primeiro show de Amy a gente não esquece. O público chegou ao Anhembi eufórico - muitos fazendo dancinhas coletivas de funk soul brothers, com grandes sorrisos no rosto. "Clones" da cantoras passeavam pela plateia. Amy estava comportadíssima, chegou a sentar na caixa de retorno quando o baterista fazia sua apresentação - o vestido também era bem família, tipo aeromoça da American Airlines. Tudo bem que, depois de tudo, ela manteve a lenda e ainda fez uma incursão pela noite de São Paulo, baixando num bar na Zona Sul.

A primeira atração internacional a chegar foi o cantor Mayer Hawthorne segurou a onda pela simpatia e a piada repetida. "No aeroporto de Floripa, um cara pediu para tirar foto comigo. Fui dar um autógrafo para ele e escrevi meu nome. Ele disse: "Achei que você fosse o Tobey Maguire, o Homem-Aranha"", brincou o músico, que está mais para Clark Kent, na verdade.

Amy, como de praxe, não falou muito com a plateia. Apresentou festivamente sua banda, como se encerrasse um ciclo, e fez mais festinha para os competentes Dale Davis (baixo) e Hawi Gondwe (guitarra), além dos fantásticos Zalon e Heshima Thompson (backing vocals).

Comparações. Como em Florianópolis, no Rio e no Recife, Amy não foi uma unanimidade em São Paulo. Janelle Monáe, por onde passou, surpreendeu positivamente. Em São Paulo, Amy mudou ligeiramente o roteiro, trocando a ordem das canções e incluindo o cover de um clássico de Lloyd Price, Stagger Lee, não previsto. Em compensação, limou outro cover, You"re Wondering Now (do grupo The Specials), um dos momentos mais empolgantes do show de Floripa.

No bloco em que ela deixa o palco e o vocalista Zalon Thompson assume o microfone, também uma das baladas (o cover de Everybody Here Wants You, de Jeff Buckley), foi substituída pela dançante The Click.

Como em Floripa, o público chegou cedo ao festival, mas os catarinenses e turistas (muitos deles gaúchos) que ansiavam pela primeira apresentação de Amy no Brasil pareciam mais animados desde o início. "Lá o pessoal estava em férias, era um clima mais de festa", comparou um assessor do Summer Soul Festival.

De fato, a reação do público foi mais calorosa até para Mayer Hawthorne, o que influiu no resultado de seu show. Com Janelle Monáe, curiosamente, ocorreu o contrário pelo menos no momento mais intimista de seu show. O som estava melhor do que em Floripa na área VIP e pôde-se ouvi-la melhor cantando Smile, de Charlie Chaplin, que arrancou aplausos de parte dos paulistanos, e o alto volume encobriu as conversas.

A configuração do espaço, bem mais justa, também fez toda a diferença quanto à receptividade do público. A área do Stage Music Park, em Floripa, é três vezes menor do que a Arena Anhembi, com capacidade para cerca de 10 mil pessoas. O que pagaram os ingressos mais caros (R$ 700) ficaram divididos em dois camarotes nas laterais da plateia.

Abaixo desses camarotes, havia uma pequena área VIP que não interferia na parte da frente. Um pequeno corredor separava o palco da plateia, proporcionando uma melhor visão do público "comum" e uma proximidade maior dos fãs de Amy com seu ídolo. Agora, na saída, foi todo mundo no mesmo bolo. O trânsito ficou tão caótico quanto em São Paulo. Sem táxis livres nem transporte coletivo, foi uma batalha voltar para casa.

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