Último Harry Potter deve se chamar <i>As Insígnias Mortais</i>

A sétima e última aventura de Harry Potter, The Deathly Hallows, sai em 21 julho, na Inglaterra, mas o título em português já está praticamente definido pela tradutora Lia Wyler e a editora Rocco. Deve ser As Insígnias Mortais, se aprovado pela autora, J.K. Rowling, que lê em português. "Escolhemos insígnias porque Hallows - com maiúsculas mesmo, senão o sentido é outro - tem vários significados, sempre ligados a símbolos do poder ou de divindade. Se ela tratasse de temas cristãos, poderiam ser relíquias, mas como suas referências são célticas, preferi insígnias, que podem ser o caldeirão, a espada ou o cinto dos antigos mestres de Harry Potter", diz Lia. "Como ainda não conhecemos o enredo dessa história, o título não é definitivo, mas dificilmente vai mudar."Lia traduz Harry Potter desde a primeira aventura e seu trabalho sempre agradou a J.K. Rowling, que morou em Portugal e, por isso, conhece a nossa língua. A autora cuida pessoalmente de todas as traduções e, na sexta aventura, elogiou o título O Enigma do Príncipe para a edição brasileira de The Half Blood Prince, título original.A partir de 21 de julho, Lia estará às voltas com Harry Potter, que normalmente lhe toma mais de três meses, em jornadas diárias de dez horas."A autora gosta de usar palavras de sentido dúbio ou de difícil tradução, o que deixa a nós, seus tradutores, em situações difíceis", brinca Lia, que é professora de tradução na PUC do Rio - traduziu também Tom Wolf, John Updike, Norman Mailer, Margareth Atwood e muitos outros - e autora de Línguas, Poetas e Bacharéis, Uma Crônica das Traduções no Brasil, uma história do ofício desde a colônia. "No caso de ´half blood´, essa dificuldade só ocorreu nas língua latinas, nas quais a expressão meio-sangue não é usada para pessoas, só para animais. Nas línguas anglo-saxãs e outras, essa dificuldade aparentemente não existe. Deathly Hallows virou insígnia mortal, que pode tanto se referir a quem mata ou quem morre."

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