Último fim de semana de "Modernidade"

Este é o último fim de semana do musical Modernidade em SãoPaulo, com apresentações marcadas para sexta, sábado e domingo.Com direção de Rodrigo Pitta, o espetáculo está permeado por umatemática mais do que em evidência na televisão e em outrasmídias na atualidade: a transformação, da noite para o dia, deum cidadão anônimo em popstar. E vai mais além: discorre sobre oconsumo das celebridades por parte do público, a perda daprivacidade e o preço que se paga por isso.O ator e cantor Lulo, alter ego do diretor, é o alvo da famainstantânea em questão. Bandido - ou "marginalizado", como odiretor prefere definir -, o personagem de Lulo torna-se íconepop após ser submetido a uma experiência de laboratório. Essassão as primeiras cenas do musical "multimídia", exibidas emmédia-metragem de 35 mm e que abrem o espetáculo.Para reforçar a composição metalingüística, Rodrigo Pittaconvidou para o filme gente que conhece bem os holofotes:Narcisa Tamborideguy, Tiazinha, Gerald Thomas, Leão Lobo, Monique Evans,entre outros. São os famosos falando sobre fama. "Eu queriafazer cinema e cinema é a coisa mais ´reality´ que tem. Noteatro, basta o ator fazer o movimento de abrir uma porta paraque o público saiba que lá é uma casa. Já num filme, é precisoter o cenário completo", explica ele.Depois de assistir ao média-metragem, com jeito de películapublicitária, a platéia depara-se com Lulo, de carne e osso, nopalco. Ele é a própria personificação do star: boa pinta, corpomalhado e carismático. É um narciso moderno: não vê sua imagemrefletida no espelho, mas sim em produtos que levam seu nome enas capas de revistas.O diretor lembra que, quando o musical foi idealizado, Luloainda não tinha a popularidade de hoje, conseguida após suasaparições na novela As Filhas da Mãe, da Globo, e, emseguida, na segunda versão de Casa dos Artistas, do SBT.Nem tampouco havia vestígios dos atuais programas de TV que têma proposta de lançar novos talentos, como Fama ePopstars, ou expor a intimidade de astros e anônimos.CD - Há cerca de dois anos Lulo foi contrato pela Som Livre paragravar o CD Modernidade. A música que dá título ao álbum éuma letra inédita de Cazuza e foi cedida pela mãe dele, LucinhaAraújo. Ela se encantou com Lulo quando ele protagonizou omusical Cazas de Cazuza, em 2000. As demais canções do CDRodrigo Pitta compôs sozinho e em parceria com Daniel Ribeiro.Pitta teve a idéia de transformar aquele trabalho num musical.Com o aval da gravadora, Lulo e os demais membros da Cia.Brasileira de Teatro Musical se confinaram num sítio em Jundiaí,interior de São Paulo, a 40 minutos da capital, onde iniciaramos ensaios. "O Casa dos Artistas e a novela foram como umapiada, vieram para reforçar o tema do musical", diz o diretor."E Casa foi um laboratório para Lulo."Modernidade respira ares de uma produção da Broadway.Efeitos eletrônicos, música, luzes, 20 pessoas no elenco,cantando e dançando. O formato do espetáculo procura aindavalorizar a versatilidade de Lulo, que canta (bem), dança einterpreta. Além de CD e musical, o "pacotão" incluirá versão emDVD. Após a curtíssima temporada em São Paulo, o musical partepara temporada no Rio.Serviço Modernidade. Texto e direção Rodrigo Pitta. Direção musical de Daniel Ribeiro. O filme tem direção de Billy Castilho e RodrigoPitta. De sexta a domingo às 21h30. De R$ 35 a R$ 130 (estudantes pagam meia). Via Funchal. RuaFunchal, 65. Tel.: 3846-2300.

Agencia Estado,

09 de maio de 2002 | 16h02

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