Último episódio de Os Sopranos mexe com norte-americanos

Episódio final teve três desfechos gravados e finaliza série de oito anos

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 03h58

O seriado sobre uma família de mafiosos Os Sopranos(Família Soprano no Brasil, que teve temporada exibida na TV aberta pelo SBT), e que uma influente revista dos Estados Unidos descreveu recentemente como "o maior sucesso da história da televisão", exibe neste domingo, dia 10, seu último episódio, após mais de oito anos no ar e um êxito sem comparação. A despedida de Tony Soprano (James Gandolfini) - chefe da organização criminosa DiMeo e patriarca dos Soprano - e seus companheiros gerou uma grande expectativa nacional. Publicações como o jornal The Philadelphia Inquirer sugeriram inclusive um menu de seis pratos à base de massa para acompanhar o episódio final. Além disso, tanto blogs quanto jornais fervem com especulações sobre os últimos 55 minutos do seriado, vencedor de 18 prêmios Emmy e cinco Globos de Ouro e que gerou videogames, livros, análises e paródias, além de ser retransmitida pelos cinco continentes. Alguns prevêem que Tony acabará morto, enquanto outros acham que o mafioso conseguirá se salvar em troca de confessar seus atos e os do clã aos agentes federais. Mas o que realmente acontecerá em "Os Sopranos" é o segredo mais bem guardado da televisão americana. O criador do seriado, David Chase, não revelou como pretende encerrar sua obra-prima, mas deixou claro que não simpatiza com os finais tradicionais. Para assegurar que o suspense será mantido até o último minuto e impedir que algum ator acabe falando demais, Chase optou por gravar três finais diferentes. O elenco de The Sopranos (no original) não revelou o enigma, mas Steven Van Zandt - guitarrista que tocava com Bruce Springsteen antes de interpretar o mafioso Silvio "Sil" Dante - antecipou que o episódio final será qualquer coisa menos entediante. "Vai ser controvertido. Vão falar dele", disse ele esta semana ao jornal Los Angeles Times. O ator interpreta o gerente do "Bada Bing", clube de strip-tease no qual Tony Soprano tem o escritório de onde dirige seus negócios ilícitos. Os críticos concordam que são muitos os fatores que transformaram o seriado em excepcional. Entre eles, está a habilidade de Os Sopranos para refletir realidades distintas, do submundo da máfia, liderada por Tony no nordeste do estado de Nova Jersey, até jantares de psiquiatras e a boêmia atmosfera nova-iorquina. Proximidade Para a revista The Economist, o motivo mais importante gira em torno do argumento central: que os gângsteres compartilham muitas coisas com o resto dos mortais. E que, apesar de administrar seus negócios clandestinos com armas e socos, Tony sofre com mesmas as preocupações de qualquer pessoa normal. A diferença é que, de vez em quando, libera a tensão assassinando alguém que se tornou um "estorvo". O patriarca dos Soprano aparece refletido como uma pessoa caseira, que se preocupa com a educação dos filhos, tem que lidar com uma mãe manipuladora e desequilibrada (Livia Soprano) e que com freqüência vai ao psiquiatra para tentar superar os ataques de pânico. Um desses ataques de ansiedade serviu de arrancada para o seriado há oito anos e meio, quando Tony decidiu visitar a doutora Jennifer Melfi (Lorraine Bracco) para vencer seus medos. Desde então, seis temporadas se passaram, mostrando execuções, extorsões, surras, decapitações e afogamentos e durante as quais o público americano estabeleceu um vínculo cada vez mais estreito com os Sopranos. O 86º episódio, que a rede HBO (que transmite a série) batizou com o título de Made in America, dará fim amanhã a um drama que chegou ao quatro cantos do planeta.

Mais conteúdo sobre:
Sopranos TV

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.